Lisboa - A emergência sanitária causada pela Covid pode afetar o comprometimento dos líderes globais no combate à crise climática. O alerta, feito a poucas semanas do começo da conferência internacional do clima da ONU, a COP-26, em Glasgow, Escócia, é de Ségolène Royal, ex-ministra do Ambiente da França, negociadora internacional de políticas ambientais e presidente da COP-21 em Paris.
"O perigo é que nós nos esqueçamos da crise climática para cuidarmos do resto, mesmo sabendo que tudo é interligado. (...) Há mais mortes pelos efeitos das mudanças climáticas do que pela Covid-19, bem mais", afirmou. Ségolène Royal, 68 anos, é uma das articuladoras do Acordo de Paris, em que líderes mundiais se comprometeram a reduzir emissões para limitar o aquecimento global.
Candidata do Partido Socialista derrotada por Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais francesas em 2007, Royal foi a primeira mulher a concorrer à Presidência por um grande partido em seu país. Questionada sobre seu futuro político - como uma eventual nova candidatura presidencial -, ela deixa o suspense no ar: "não excluo nenhuma possibilidade".
Em Portugal para a conferência "Future of Politics", realizada no final de setembro em Cascais, Ségolène falou ainda sobre segurança e mudanças ambientais. Ela afirma que o aquecimento global também potencializa doenças e a difusão dos vírus. "Há o ebola, há outros vírus e doenças ligados à crise climática. Então, é absolutamente necessário que o combate às mudanças climáticas permaneça prioritário", afirma. "A Covid-19 fez com que a crise ambiental parecesse secundária, mas não deveria ser assim."