09 de julho de 2026
Nacional

Dias de folga aliviam o cansaço mental


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Reconexão, descoberta, bem-estar. Diante de tantos significados que uma viagem pode ter, muitos se tornam agora ainda mais relevantes. Experiências proporcionadas pelo turismo podem ser aliadas no cuidado com a saúde mental e ajudar a lidar com quadros provenientes da pandemia, como ansiedade e exaustão. "A viagem sempre traz descobertas de lugares e interações. Com uma parcela da população em home office, também oferece a possibilidade de deslocamento", afirma Mary Yoko Okamoto, professora de Psicologia da Universidade Estadual Paulista no câmpus de Assis. Ela explica que a conexão com os outros e consigo mesmo vivida nos dias longe de casa promove uma experiência emocional interna. "É uma medida para buscar um alívio, mesmo que seja temporário, para descarregar tensão, tristeza e angústia."

Quando a ansiedade se caracteriza como transtorno ou doença, pode ser preciso fazer terapia e às vezes usar medicamentos, diz o médico Joel Rennó Jr., professor colaborador do Departamento de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). "Porém, atividades de lazer, socialização e ressignificação da experiência de vida podem contribuir positivamente", diz.

Rennó Jr. lembra que todos vimos escapar o referencial de controle diante de tantos casos de doença e mortes. "Tem quem lide com sequelas da Covid, outros perderam pessoas próximas. A pandemia exacerbou o sentimento de apreensão, de finitude da vida. Algumas pessoas acabaram projetando planos até como forma de não adoecer, para encontrar força para lidar com estresse, medo, fracasso. Por exemplo, dizem 'assim que isso passar, vou fazer uma viagem para a Itália ou Fernando de Noronha. Sempre tive vontade e nunca fiz'."

O longo período em isolamento, segundo a professora da Unesp, tirou do ambiente doméstico o significado de lugar de descanso. "Ele se tornou um ambiente para muitas coisas. O mundo do trabalho e dos estudos invadiu o mundo de casa. Sair traz a sensação de liberdade, de movimento."

Depois de meses ensinando Artes em aulas online ou híbridas, Thaiany Ferreira passou uns dias em julho na Bahia. Foi para resort com o namorado, Bruno Izzo, que trabalha na rede pública de Saúde em São Paulo. A quebra na rotina ajudou a espairecer. "Depois de um ano e meio bem rígido, serviu para relaxar. Sentimos um pouco da vida de antes da pandemia", conta Izzo.

Esse foi um dos benefícios de viajar apontados por Felipe Laccelva, CEO da Fepo, startup digital especializada em atendimentos psicológicos, com preços acessíveis. "Traz a sensação de que estamos retornando ao modo de vida anterior, que o pior ficou para trás. Vivenciar experiências novas e inspiradoras é o que todos nós precisamos agora", diz o CEO da empresa que, só em 2020, ultrapassou o total de 27 mil sessões, ante 1,8 mil no ano anterior.

"O Brasil antes da pandemia já era considerado o país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população com o transtorno, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em junho de 2020, na pandemia, 41% dos brasileiros ouvidos numa pesquisa do Instituto Ipsos afirmaram ter experimentado algum nível de ansiedade. Outro estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul verificou que cerca de 80% dos entrevistados sentiram subir os níveis de ansiedade."

O distanciamento prolongado, necessário contra o coronavírus, acabou afetando o lado psicológico, afirma Laccelva. "O ser humano é um ser social e o distanciamento provocou o aumento dos níveis de ansiedade", diz. "A terapia é a principal maneira para lidar com isso. Mas há outras formas que ajudam a minimizar as consequências, como atividades físicas e de lazer. Desde que respeitada a segurança sanitária, essas ações geram bem-estar."