09 de julho de 2026
Geral

Zoológico é invadido e único peixe da espécie piracanjuba é furtado

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

O único peixe da espécie piracanjuba, considerada ameaçada de extinção, do Zoológico de Bauru, foi furtado do aquário. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente (Semma), pasta a qual o parque é subordinado, o local foi invadido entre a noite de quinta-feira (14) e madrugada de sexta-feira (15), sendo a ausência do animal constatada na manhã de ontem pelo tratador dos recintos. A prefeitura afirmou que registrará boletim de ocorrência (BO) sobre o caso e realizará uma apuração interna. Além disso, o parque usou as redes sociais para pedir a devolução do peixe (leia mais abaixo).

Segundo a prefeitura, o criminoso retirou as telhas do local para ter acesso à parte interna e furtar o peixe, que tinha cerca de 60 centímetros de comprimento e vivia no Zoo em recinto próprio há mais de 12 anos. Nenhum outro animal foi levado ou prejudicado. "A pasta registrará um BO na Polícia Civil e vai abrir processo interno para apurar o fato", informa a Semma. Vale lembrar que o aquário está fechado para visitação do público desde o início da pandemia, por ter pouca ventilação.

RISCO

De acordo com Fábio Porto Foresti, biólogo e docente do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp de Bauru, o piracanjuba vem desaparecendo de rios brasileiros há décadas e é considerado sob risco de extinção. Inclusive, por conta da pequena população nos rios, a pesca deste peixe é proibida pelo Ministério do Meio Ambiente desde 1994, em toda sua área de ocorrência natural.

E, para ajudar a aumentar a população desta espécie em ambiente nativo, a AES Tietê, empresa geradora de energia, realiza um trabalho de repovoamento dos rios. No ano passado, conforme a companhia divulgou, foram introduzidos mais de 2 milhões de alevinos (nome dado a peixes ainda pequenos) nos reservatórios dos rios Tietê, Pardo, Grande e Mogi Guaçu, de várias espécies nativas, incluindo o piracanjuba.

"São necessários muitos programas de repovoamento para fazer com que o piracanjuba volte a aparecer naturalmente nos rios. Mas é difícil. Estudos que nós desenvolvemos aqui na Unesp apontam que apenas cerca de 5% desses alevinos colocados nas águas sobrevivem. Diante deste risco, o exemplar do Zoo de Bauru era de grande importância para preservar a espécie", pondera Foresti.

Por outro lado, ainda segundo o biólogo, há um apreço pela carne do piracanjuba, por ser macia e rosada, parecida com a do salmão. "Porém, o peixe, quanto mais velho, mais gordurosa fica sua carne, o que deixa um gosto ruim. Imagine, então, o sabor deste piracanjuba de 12 anos. Não deve ser bom", observa.

OUTROS CASOS

Esta, porém, não foi a primeira vez que um animal do Zoo foi vítima de furto ou roubo. "Tivemos no passado alguns roubos, como de um sagui bicolor, espécie também em extinção, mas, depois de uma grande campanha, inclusive com oferecimento de recompensa, foi devolvido", relata o zootecnista Luiz Pires, que foi diretor do Zoo durante 36 anos.