As articulações, mudanças e decisões políticas em todo país envolvendo a fusão dos partidos PSL e DEM ficam mais evidentes a cada semana, após a confirmação da criação do União Brasil, como resultado da fusão dos dois partidos. Parlamentares e pessoas ligadas à vida política das duas siglas decidem se ficam ou deixam os partidos, enquanto aguardam as definições que vêm das esferas superiores das duas agremiações.
Em Bauru, não tem sido diferente. Porém, as opiniões são bem diferentes entre quem vê no União Brasil uma via moderna e que vai ajudar a desenhar as eleições do ano que vem; quem avalia que a fusão esvaziará e descaracterizará o PSL, por sua ligação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e ainda quem aguarda os próximos andamentos para decidir se adere ou não ao novo partido.
NOMES PRÓPRIOS
O primeiro a se manifestar, antecipando a saída do PSL, foi o vereador Eduardo Borgo. Já Coronel Meira, que junto com ele compõe a bancada na Câmara de Bauru, afirmou que não deixa a sigla, ao menos até as prévias do PSDB que, em sua opinião, condicionarão o posicionamento do novo partido e também a sua própria posição. "Vou esperar para ver quem são os personagens que vão permanecer no partido. A princípio, não vou mudar. Mas vou ver o rumo que vai tomar", avaliou.
O vereador acredita que muitos filiados e políticos do DEM sigam o vice-governador Rodrigo Garcia, que deixou o Democratas e é pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSDB, de João Doria. Meira não acredita, no entanto, que o União Brasil siga o mesmo caminho. "Se eu pensar em termos da instituição que represento, a Polícia Militar, muito pouco tenho a agradecer (ao governo do PSDB). Quase nada. Estou convicto que isso não vai acontecer. Minha esperança é que o partido (União Brasil) seja de centro e que tenha nomes aos governos Estadual e Federal", avaliou.
Os vereadores filiados ao PSL ou DEM têm o prazo de 30 dias, após a homologação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para deixar as siglas ou aderir ao novo partido.
TERCEIRA VIA
Pela leitura que a presidente do Democratas em Bauru, a vereador Chiara Ranieri, faz da proposta do União Brasil, o vereador Meira pode ficar tranquilo, pois o novo partido surge justamente para oferecer uma terceira via aos governos estadual e federal, e não apoiar o projeto de eleição do PSDB de João Doria.
Por isso mesmo, as dificuldades de adaptação, na opinião de Chiara, terão os filiados do PSL que querem a reeleição do presidente Bolsonaro (sem partido). "O União chega com esta proposta (de terceira via), não é à-toa que está sendo feita a fusão para criar um partido com este tamanho", afirmou. Em Bauru, Chiara lembrou que PSL e DEM estiveram juntos nas últimas eleições municipais e que permanecem unidos desde então, por isso não vê dificuldade na fusão para os filiados do DEM.
A demista se disse impressionada com a proposta do Estatuto do novo partido. "Adorei. Algumas coisas são explícitas, como a questão da primeira infância. Então, estou bem feliz, e acho que vai dar super-certo", comentou.
ESVAZIADO
Confirmando a avaliação do Democratas de Bauru, a situação é bem mais delicada para os filiados e integrantes do PSL, que por apoiarem a reeleição de Bolsonaro veem a proposta original do partido se esvaziar.
Como é o caso do vice-presidente do partido em Bauru, Kleber Ciro. Segundo ele, assim como outras lideranças locais, o movimento é de saída do PSL e não adesão ao União Brasil. "O partido já tinha ruptura mesmo antes da fusão, divisões entre a ala bolsonarista e outras que são divergentes, que acompanham o (Júnior) Bozzella, vice-presidente nacional do PSL e deputado federal. O partido que se tornou gigante, nesta próxima leitura terá redução muito significativa. Não deixa de existir, mas o perfil ideológico não estará lá. Ele perde sua identidade", avaliou Ciro.
Em sua opinião, o perfil mais centrista do DEM vai realmente sobrepujar a posição à direita conservadora do PSL. Os partidos que devem mais recepcionar os errantes, inclusive em Bauru, são PL, Patriota, PTB e PSC, justamente por sua afinidade ideológica, e já pensando nas eleições de 2022 e 2024, de acordo com Ciro.