10 de julho de 2026
Geral

Entregadores de aplicativo cruzam os braços até amanhã

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

Entregadores de aplicativo iniciaram, nesta sexta (15), uma paralisação em Bauru. O movimento, segundo os participantes, soma um total de 150 pessoas e a maioria ficará com os motores desligados nos horários de almoço e jantar, até domingo (17). Cerca de 40 deles se reuniram em alguns pontos da cidade. Os motivos do protesto, segundo eles, são a alta nos preços dos combustíveis - cerca de 31% nos últimos 12 meses - e as taxas dos aplicativos de entrega, que são baixas diante dos altos custos de manutenção das motos. Manifestações parecidas foram registradas em outras cidades do Estado.

Segundo um dos entregadores, Victor Romano Conceição, 26 anos, a categoria reivindica reajustes urgentes das taxas de entrega, além de respaldo para os motociclistas que sofrerem acidentes, ao menos durante o horário de serviço. Ele e os demais trabalhadores reclamam que, no ano passado, era possível encher um tanque com cerca de R$ 35,00 e, hoje, esse valor subiu para R$ 55,00.

Além disso, o que mais desabona, de acordo com Conceição, é a taxa de R$ 5,30 que o principal aplicativo paga por entregas de até 5 quilômetros de distância entre a empresa que fornece a comida e o cliente. No entanto, essa conta não leva em consideração o deslocamento de onde o motociclista está para chegar até o estabelecimento.

"Tem vários aplicativos em Bauru, mas a imensa maioria trabalha com o iFood. E esse valor de R$ 5,30 não paga nem um litro de gasolina. O ideal é R$ 7,00 de taxa mínima para até 5 quilômetros e mais R$ 1,50 por quilômetro adicional. Cada um de nós faz entre 20 a 30 entregas por dia, ficando logado mais de 12 horas no aplicativo. Durante a greve, o aplicativo identificou ausência de entregadores logados e ofereceu apenas R$ 2,00 de acréscimo como atrativo", reclama Victor Conceição.

ACIDENTADO

Waldemar Sorrilha Filho, 54 anos, que trabalha com iFood, protesta que, há 50 dias, sofreu um acidente de moto e teve fratura exposta no braço esquerdo. "Não temos assistência. Nem contato com a iFood conseguimos, só pelo chat do aplicativo. Eu acionei eles ao ser socorrido pelo resgate, via mensagem, mas não obtive retorno imediato. E, além de ser ignorado, quando estava com o braço 'pendurado', os avisos de novas entregas não paravam de chegar", critica.

COMÉRCIO

A paralisação afetou os comerciantes. Para Ailton Leandro Marmol, de 25 anos, três deles como proprietário de marmitaria, houve um prejuízo nesta sexta-feira de R$ 3 mil. Habitualmente, por meio das entregas via aplicativo, ele relata que a média é de 200 pedidos por dia. Ontem, as vendas caíram pela metade. Mesmo assim, o comerciante fez questão de deixar claro que apoia a causa. "As condições são negativas para eles, nós tivemos prejuízo. Houve vários cancelamentos de pedidos. Mas, acredito que as coisas precisam melhorar, sim", comenta.

SEM CONTATO

A reportagem tentou contatar o iFood por meio dos suportes ao consumidor e aos entregadores, mas estavam temporariamente desativados. O mesmo problema foi registrado nas demais cidades com registro de greve.