Nesta terça-feira (19), o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) deu um passo importante para a própria sobrevivência. Em uma tentativa de mobilizar a sociedade, diretores da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp em Bauru se reuniram com vereadores e representantes das defesas civis de várias cidades do Interior para ressaltar o alcance e a relevância do serviço. Ameaçado pela crise financeira, o Centro pode deixar de existir em poucos anos, conforme revelou o JC em ampla reportagem no mês passado. A unidade é considerada fundamental para a prevenção de desastres e também de grande utilidade para a iniciativa privada, como nas áreas de produção agrícola, transportes e logística.
O IPMet precisa de cerca de R$ 500 mil ao ano para manter o prédio, serviços terceirizados, como vigilância, limpeza e portaria, e manutenção nos radares, cujas peças são quase todas importadas. "É um serviço fundamental para a proteção da vida. Através dos avisos meteorológicos, as defesas civis monitoram alertas de tempestades para orientar as ações e minimizar catástrofes, como as enchentes", afirma a professora Vera Capellini, diretora da FC, à qual o IPMet está vinculado hoje em dia.
O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Marcelo Ryal, classifica o IPMet como de suma importância. "Só através dele a gente consegue visualizar de forma técnica a possibilidade de temporais, de onde chegam, que horas chegam e a intensidade".
DIFICULDADES
Com a crise econômica, desde 2014, a universidade tem dificuldade em manter a unidade, revela Vera Capellini. "A Unesp não está se furtando da responsabilidade. No entanto, com menos recursos, ela vai priorizar as atividades fim, que são ensino, pesquisa e extensão. Só de professores, o déficit chega a 1 mil docentes na universidade", explica a diretora.
Entre as alternativas para manter o IPMet, estão convênios com prefeituras para ratear os custos. "Hoje, para a universidade, R$ 500 mil é muita coisa. Mas, se for dividido entre prefeituras e iniciativa privada, é um custo baixo. É necessário planejar essa corresponsabilidade", afirma. Outra ideia é oferecer produtos específicos para setores, como o agronegócio.
"Até hoje, todos os serviços foram disponibilizados de graça, mas a Unesp não consegue mais arcar. Em outros Estados, são os governos quem mantêm esse monitoramento. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, paga um valor para o radar da USP para prever chuvas fortes e enchentes", exemplifica a professora.
COM A PREFEITA
Ainda na terça (19), diretores da FC se reuniram com a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, para discutir as dificuldades do IPMet. Segundo Vera Capellini, a prefeita se comprometeu a ajudar com articulação política, inclusive junto ao ministro da Ciência, o bauruense Marcos Pontes, com quem tem bom trânsito.
Outra promessa do gabinete foi a tentativa de fazer uma reunião ainda neste ano com prefeitos e secretários municipais de Agricultura para demonstrar a relevância do IPMet.