11 de julho de 2026
Nacional

De última hora governo cancela anúncio do novo Bolsa Família

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O Ministério da Cidadania cancelou, em cima da hora, o evento de lançamento do Auxílio Brasil, que estava marcado para as 17 horas desta terça-feira (19). Ainda não há uma nova data para o anúncio oficial do programa.

O governo pretendia lançar nesta terça-feira o programa assistencial para substituir o Bolsa Família com valor de R$ 400 em 2022, ano em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, buscará a reeleição.

Parte desse valor, cerca de R$ 100, seria contabilizado fora do teto de gastos, em uma vitória da ala política do governo sobre a equipe econômica, o que gerou repercussão negativa na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. O valor extrateto é estimado em R$ 30 bilhões.

MERCADO FINANCEIRO

A notícia de que a equipe econômica cederia à ala política afetou o humor do mercado financeiro durante todo o dia e levou a Bolsa a chegar no menor nível desde março e o dólar a ter forte alta.

Após o cancelamento do evento que lançaria o novo Auxílio Brasil no Palácio do Planalto, os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira, e da Cidadania, João Roma, estiveram com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para discutir os detalhes do texto.

Após o encontro, os ministros retornaram ao Palácio do Planalto, onde uma nova reunião deve ser feita para ajustar o texto. "Estamos ajustando", afirmou Ciro. Questionado sobre a possibilidade ele não deu certeza. "Não sei se anuncia, estamos ajustando", afirmou.

PRESSÃO

O desenho aprovado pelo presidente Jair Bolsonaro prevê um auxílio de R$ 400 em média até o fim de 2022, sendo que R$ 100 ficariam fora do teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação. A autorização para isso seria incluída na PEC dos precatórios - daí a presença de Motta na reunião.

A equipe econômica quer limitar o valor extrateto a R$ 30 bilhões. Questionado sobre essa cifra, o ministro João Roma disse que "não há valores definidos ainda". Havia pressão dentro do governo e no Congresso para que o valor fora do limite de despesas seja ainda maior.

Entretanto, segundo a repórter Carla Araújo, do Portal UOL, quando quando Guedes comunicou à sua equipe que eles teriam que tirar do papel a proposta de um auxílio de R$ 400, houve reação de pelo menos dois de seus secretários: Bruno Funchal (secretário especial da Fazenda) e Jeferson Bittencourt (secretário do Tesouro Nacional) que, entre outros, ameaçaram demissão coletiva.  Nas palavras de um auxiliar de Bolsonaro, "os homens que têm a chave do cofre ameaçaram pedir demissão".