10 de julho de 2026
Geral

Síndrome respiratória em criança tem 'boom' após notificação ser obrigatória

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Em 2020 e 2021, o número de casos de crianças de até 12 anos internadas em Bauru por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) disparou. De janeiro até outubro deste ano, foram 174 registros. Já no ano passado inteiro, foram 155. Os dados são da Vigilância Epidemiológica e revelam uma disparada em relação ao período pré-pandemia. Em 2019, foram apenas 13 registros, assim como em 2018 (veja quadro ao lado). A notificação que passou a ser obrigatória é apontada como o motivo desse "boom".

Apesar de os números de 2021 até agora já serem maiores do que os de 2020 inteiro e a alta coincidir com o período de maior circulação dos pequenos, inclusive com a retomada das aulas presenciais, a médica sanitarista da Vigilância Epidemiológica Cristiane Rosevelte descarta, por exemplo, a relação com a escola. Para ela, seria necessária uma série histórica maior para justificar com segurança esse contexto.

A profissional acredita mesmo que o crescimento dos dados tenha relação direta com a obrigatoriedade das notificações de Srag trazida pela pandemia.

"Uma coisa não tem nada a ver com a outra (circulação das crianças com alta). Essas Srags sempre existiram. Elas só estão mais notificadas agora. Não é que não tinha internação, não tinha era notificação, porque não era obrigatória. Desde o momento em que as crianças estavam online até o momento em que voltaram presencialmente, o número de internações (somando todas as patologias pediátricas) permaneceu a mesma coisa", justifica a médica.

Ainda segundo Cristiane, por causa da pandemia, os hospitais passaram a fazer mais fichas de notificação de Srag, procedimento necessário para colher exames e investigar se trata-se ou não de Covid. "Em outras épocas, muitas vezes, nem se fazia a ficha de notificação no caso de uma internação por síndrome respiratória. Talvez até tivesse maior número de crianças internadas com Srag, mas que não tinham sido notificadas porque não era uma pandemia", explica.

IMUNIZAÇÃO

Cristiane Rosevelte também ressalta a importância da vacinação para proteger as crianças, mesmo que elas ainda não sejam o grupo alvo da imunização contra o novo coronavírus. "Como a maior parte da população está vacinada, as crianças acabam protegidas por tabela", conclui.