11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Quando faz sentido o dono de um negócio se apresentar como CEO?

Marília Miragaia
| Tempo de leitura: 3 min

Inspirados em líderes das grandes corporações, muitos empresários têm escolhido a sigla CEO (chief executive officer, diretor-executivo em inglês) para denominar a si próprios. Mas, em geral, o termo não é apropriado para negócios muito pequenos, que não têm a pretensão de crescer rapidamente.

Siglas em inglês podem causar problemas de entendimento e criar distanciamento com clientes e funcionários que não estão familiarizados com a nomenclatura no dia a dia, diz Jaércio Barbosa, coordenador da Incubadora de Negócios da ESPM. "A questão é: por que você usa esses termos? É para dar status?", questiona.

O cargo CEO e outras posições de liderança como CFO (chief financial officer) fazem parte do chamado "C-level", uma expressão que denomina profissionais que acumularam competências técnicas e comportamentais de forma completa, independentemente da idade, e atuam na visão estratégica de suas áreas, explica Bruna Losada, vice-reitora geral da Saint Paul Escola de Negócios.

Em geral, essas siglas significam que existe um time ou hierarquia abaixo daquela posição, mas é muito comum que uma startup nasça apenas com um CEO, que acumula funções até conseguir crescer e contratar outros executivos, afirma Losada. Mas o número de empresas que necessitam dessa estrutura de cargos é relativamente pequeno no mercado, diz Barbosa.

Usar o termo de maneira equivocada pode também causar má impressão no consumidor, que pode concluir que a sigla não reflete a realidade da empresa, diz Marcelo Treff, professor de Gestão de Pessoas da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado).

Segundo ele, com a chegada de grandes grupos internacionais ao País nos anos 1990, a linguagem do mundo corporativo se proliferou e muitos empreendedores começaram a usá-la. Isso se acelerou com o surgimento de big techs e dirigentes que ganharam fama como Mark Zuckerberg, do Facebook.

Para Barbosa, da ESPM, faz sentido que a sigla seja usada por startups, porque esses negócios nascem pequenos mas são pensados para crescer rápido. "Desde cedo, eles adotam a linguagem de fundos de investimento e incubadoras", afirma.

Nas apresentações feitas nessas rodadas, Barbosa afirma que é comum que o representante da startup mencione quem faz parte da equipe. "Por exemplo, se houver um CMO (chief marketing officer), isso vai ser dito e ajuda a dar o entendimento rápido para os investidores que o time daquela startup tem experiência no que faz", diz.

Com quase dois anos de vida, a startup de produtos naturais Nutritivo começou a acelerar seu ritmo de crescimento e há seis meses seus sócios decidiram escolher entre si um representante para ocupar a posição de CEO. Marcos Iazzetti, sócio e CEO, afirma, no entanto, que a rotina de sua empresa mostra que é preciso ter flexibilidade na hora de usar o termo.

 "Muitas vezes, são pessoas que estão vendendo na Internet pela primeira vez. Não dá para eu ligar para a Rose, que fabrica pão no Interior, e dizer que sou o CEO. Ter um cargo traz status. Mas a realidade é que você precisa dar conta do negócio para ele crescer. E, para isso acontecer, eu não posso afastar as pessoas e criar barreiras", diz.