09 de julho de 2026
Atitude

Não é brincadeira inocente de criança


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A série sul-coreana "Round 6" estreou há cerca de um mês na Netflix e logo conquistou uma popularidade estrondosa, capaz de quebrar até mesmo as barreiras de sua classificação indicativa, de 16 anos, e conquistar crianças. Isso mesmo com o criador da série alertando que "essa obra não é para elas". "Estou perplexo que crianças estejam vendo. Espero que pais e professores ao redor do mundo sejam prudentes para que elas não sejam expostas a esse tipo de conteúdo", afirmou Hwang Dong-hyuk. "Mas, se já viram, espero que os adultos as ajudem a entender o significado."

Verdade que a cena mais difundida da atração é de uma boneca gigante, que a série abusa das cores chamativas e atraentes ao olhar infantil e até mesmo a sinopse deixa claro que a trama gira em torno de brincadeiras de criança - das coreanas, pelo menos. Mas nada ali é inocente e a violência reina o tempo todo. 

A neuropsicóloga Leninha Wagner lembra o quanto é necessário um controle por parte dos pais. Segundo ela, o fenômeno mundial chama a atenção da garotada, que passa a comentar as cenas como se fosse algo normal. "Ao entrarem em contato com conteúdo de cunho violento, as crianças e adolescentes acabam 'normalizando' e tomando isso como algo comum. Tornam-se mais reativas e agressivas. Nesta fase da vida, ainda são imaturos e muito vulneráveis a estímulos que podem se tornar incontroláveis e até mesmo viciantes", afirma a neuropsicóloga. Além disso, ela pondera que nesta idade o cérebro tem menos "freios" na regulação das emoções.

A série tem outro artifício que atrai as crianças. Os desafios propostos aos jogadores são brincadeiras infantis bastante conhecidas - como "batatinha frita 1, 2, 3", bolinha de gude e cabo de guerra. Elas são utilizadas em uma espécie de jogo de sobrevivência, no qual os participantes que não atingem o objetivo final são assassinados. E tudo isso por um prêmio milionário.

"Não é nem questão de permitir, é estar de olho, pois sabemos que muitas crianças já tem acesso a telefones, mesmo sem a presença dos pais", alerta a pediatra Thais Chaves, do Rio de Janeiro, em seu perfil no Instagram, na semana passada.

O neurocientista, psicanalista e biólogo Fabiano de Abreu revela que "a criança não tem a mesma percepção preventiva do adulto, já que a região do lobo frontal, relacionada à tomada de decisões, lógica e prevenção, está em formação". Por isso, ele recomenda aos pais. "Deve-se ter muito cuidado ao acesso das crianças e explicar com argumentos coerentes para a faixa etária, de maneira que entenda o real e o abstrato assim como suas consequências."