A luta contra a sífilis em Bauru teve prejuízos significativos por conta da pandemia. O medo de adquirir Covid-19 e o fato de parte das unidades de saúde ter sido destinada exclusivamente a demandas do novo coronavírus provocou queda acentuada na busca por atendimento e consequentemente nos registros oficiais da sífilis adquirida em Bauru. Somado a essa realidade trazida pela pandemia há também o habitual tabu, com a vergonha de procurar ajuda.
Os dados da Secretária Municipal de Saúde mostram a redução dos registros. Em 2019, houve 407 casos de sífilis adquirida confirmados em Bauru, um número considerado dentro da normalidade de notificações, porém, ainda bem aquém da realidade da doença no município. Em 2020, foram 284 e em 2021, até outubro, 194.
Esse quadro tem preocupado o Programa de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) de Bauru, ligado à pasta. Segundo a coordenadora, a assistente social Josiane Carrapato, ao contrário do que as estatísticas poderiam apontar, não há queda real da doença e o vírus continua circulando entre as pessoas, tanto em casais que têm relações com mais de uma pessoa quanto em jovens que insistem em não utilizar preservativo.
CONSCIENTIZAÇÃO
Desde 16 de outubro, Dia Nacional de Combate à Sífilis, a Secretaria de Saúde realiza campanha em apoio ao Ministério da Saúde, a fim de estimular a conscientização sobre a data. Nesta quinta-feira (28), inclusive, houve uma reunião virtual entre os servidores da pasta para reforçar detalhes do serviço público municipal com relação à sífilis. Além disso, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e médicos organizam um Plano Municipal de Enfrentamento, através de uma capacitação às chefias dos serviços de saúde.
Ainda de acordo com Josiane Carrapato, a conscientização é de extrema importância, já que, o quanto antes for feito o diagnóstico, mais cedo o paciente receberá o tratamento ambulatorial adequado, com penicilina.
Outra medida é o retorno da testagem rápida para a sífilis com reagente em todas as unidades básicas, assim como HIV e hepatites B e C. Durante mais de um ano, com a pandemia agravada, a lista dos locais para a população ter acesso havia ficado mais enxuta.
"Em 2020 e 2021, as pessoas deixaram de procurar ajuda com medo de se infectar pela Covid nos postos de saúde. Vale lembrar que a pessoa, uma vez curada da sífilis, podem se contaminar novamente. E aumentou a incidência entre os jovens. Existe muito preconceito ainda, resquício do passado, rótulos e questões morais", explica Josiane Carrapato, fazendo a ressalva de que os registros oficiais devem aumentar devido ao arrefecimento da pandemia.
DIAGNÓSTICO
Assim como o HIV, a hepatite B e a hepatite C, a sífilis é diagnosticada através do teste laboratorial. Em Bauru, esse procedimento é oferecido gratuitamente pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e por todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde existe uma capacitação contínua para atender a população.
Para fazer o agendamento do teste, basta acessar o site do CTA (http://www.aids.gov.br/pt-br/cta-bauru/) ou ligar no telefone (14) 3234-2576. É preciso levar um documento com foto, comprovante de residência e o cartão nacional de saúde. Caso a pessoa não tenha esse cartão, a unidade se disponibiliza a criar na hora.