09 de julho de 2026
Geral

Fila de espera por exames em Bauru cresce e atinge acumulado de 34,9 mil

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O avanço da vacinação e a redução do número de pacientes com Covid-19 motivaram reestruturação dos hospitais para atender a demanda represada de outras doenças, o que trouxe expectativa e alívio para pacientes, hoje, na fila. Mas, o que se tem visto na rotina das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Bauru ainda não é um cenário favorável, isso porque a espera para exames via SUS cresceu, atingindo demanda reprimida de 34,9 mil exames. Os dados fornecidos pelo município são atualizados até a última quarta-feira (27).

Para fins comparativos, o montante é 20% superior ao acumulado em março do ano passado (29,1 mil), quando ainda não havia reflexos da pandemia de coronavírus.

A Secretaria Municipal de Saúde diz que, além da demanda represada em razão da Covid-19, a oferta de exames caiu até 45%, principalmente os custeados pela Secretaria de Saúde do Estado.

Em nota, o Estado nega a redução de atendimentos e alega que tem ampliado a oferta de exames e consultas por meio do Corujão da Saúde, além de apostar no fortalecimento do serviço das Santas Casas. A Saúde estadual ainda ressalta o índice de falta dos pacientes em exames.

OS MAIS PEDIDOS

Ao chegar a uma unidade da rede básica, o paciente é atendido por profissionais, mas o encaminhamento aos especialistas só ocorre mediante a apresentação dos exames complementares, que constatem essa necessidade. Exames estes que têm levado mais tempo para serem feitos.

Dados fornecidos pelo Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle do município mostram que o ultrassom obstétrico é um dos exames mais reprimidos na rede. Em março de 2020, a fila era de 160 exames do tipo e, nesta semana, a demanda registrada era 1.533.

Os pedidos de radiografias também subiram de forma acentuada neste mesmo período, de 756 para 2.262. Os eletrocardiogramas foram de 149 para 1.768, e as mamografias de 105 para 553 solicitações.

"A relação de exames muito alta dificulta o atendimento da atenção básica, porque a unidade, via de regra, não consegue encaminhar o paciente ao especialista. E a população fica insatisfeita com esse tempo de espera", afirma Lucila Bacci, diretora do Departamento de Unidades Ambulatoriais da Secretaria Municipal de Saúde. "E, se demora mais para o paciente passar por uma avaliação, o quadro de saúde também pode se agravar", completa.

RECURSOS PRÓPRIOS

Ela explica que o município passou a viabilizar, com recursos próprios, desde 2019, exames como eletrocardiograma e ultrassom endovaginal, obstétrico e abdominal, além de mamografia, retinografia e raio-X, por meio de unidades como o Centro de Diagnóstico por Imagem de Bauru (CDIB) e a Casa da Mulher. Ainda assim, não foi possível diminuir a espera.

"O município tem uma limitação orçamentária e financeira e, inclusive, já tem assumido muita coisa que é de responsabilidade do Estado na tentativa de diminuir essa fila", comenta Lucila.

A situação tem sido acompanhada pelo Ministério Público (MP) e o município tem participado de reuniões frequentes com o Departamento Regional de Saúde (DRS-6). O próximo encontro será em 3 de novembro e a expectativa é de que o Estado anuncie um novo mutirão para consultas e exames.

ESTADO REBATE

O Estado, por sua vez, ressalta que "é errado falar em redução da oferta de atendimento justamente porque, para fortalecer e agilizar a assistência à população, o governo do Estado retomou o principal programa para atender demandas reprimidas: o Corujão da Saúde". Em curso, o programa oferta 25,5 mil exames na região com foco em duas frentes: oncologia e oftalmologia. Houve, ainda segundo a pasta, aumento no repasse às Santas Casas.

A Saúde estadual frisa também que manteve, durante a pandemia, serviços especializados, como o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), com foco em atender outras patologias. E aponta que o serviço registra, atualmente, taxa de falta dos pacientes na ordem de 19,5% em primeiras consultas, e de 12,5% em exames.

O Estado cita ainda que a Central de Regulação de Oferta e Serviços de Saúde (Cross) "segue atuando com agilidade para buscar vaga em serviço de referência para cada caso".