08 de julho de 2026
Ser

Crianças recriam brincadeiras

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

O futebol continua suspenso, os brinquedos não podem ser emprestados, os abraços ainda devem ser evitados. As crianças voltaram para uma escola diferente, mas as novas regras não significaram o fim da diversão. As mudanças da pandemia trouxeram uma série de restrições, mas fizeram surgir também novas brincadeiras.

O pega-pega, por exemplo, ganhou uma nova versão para que as crianças não precisem encostar umas nas outras. Agora, eles usam um galho de árvore para tocar no colega e assim garantem o distanciamento seguro. A bola continua proibida em algumas escolas. Para substituí-la, os alunos passaram a pular corda nos recreios. A brincadeira era, até então, desconhecida para a maioria deles.

Depois de 16 meses sem poder ir à escola todos os dias como estavam acostumados, os alunos puderam retornar diariamente às aulas presenciais. Para muitos pais e educadores havia preocupação com a adaptação das crianças às novas regras, como o uso de máscaras e o distanciamento dos colegas.

Os professores, no entanto, garantem que eles rapidamente se adaptaram e criaram estratégias para que pudessem se divertir. "Eles criaram brincadeiras que se adequam às novas necessidades, as crianças têm uma capacidade incrível de transformar qualquer cenário em diversão e elas mostraram que isso era possível também nesse contexto", conta Regina Clara, coordenadora pedagógica.

Ainda que sintam falta de algumas dinâmicas que tinham com os colegas antes da pandemia, as crianças continuam criando novas formas de interação. Se andar de mãos dadas com os amigos não é mais permitido, eles agora brincam de "mão invisível" - em que estendem a mão um para o outro, mas sem se encostar.

Também dão abraços a distância. Ao invés de abraçar o colega, se olham e apertam os braços contra o próprio corpo. "Eles são muito afetuosos nessa idade e o contato para eles é muito importante. Às vezes escapa um abraço ou algum outro contato físico, mas eles estão conscientes e sabem o que não deve ocorrer nesse momento."

Há colégios recebendo as crianças para aulas presenciais todos os dias, sem restrição de atendimento. Para melhorar a ventilação nos espaços de aula, muitos abriram as sacadas e janelas. "Elas voltaram com muita vontade de se apropriar da escola", conta Regina Clara.

Infectologistas de diversos países incentivam que as escolas usem ao máximo as áreas externas para diminuir os riscos de transmissão de Covid. A estratégia foi adotada em países como Itália, Portugal, Alemanha e França.

Para a maioria das escolas, no entanto, a estratégia não é possível, exatamente por não terem esses espaços. Não há nenhum dado específico sobre a metragem de áreas externas nas unidades escolares do país, mas, segundo o Censo Escolar 2020, apenas 37% delas têm quadra esportiva.