09 de julho de 2026
Nacional

Depois do isolamento, o colorido

Estadão Conteúdo
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A maneira de nos vestirmos afeta o nosso humor. E muito do nosso humor é refletido na maneira como nos vestimos. A influência da roupa nas emoções humanas é tanta que vestir algo que nos deixa feliz gera uma adrenalina no corpo, que está ligada à dopamina, o hormônio do bem-estar. É daí que vem a nova tendência da moda: dopamine dressing, ou "vestir-se de dopamina", em tradução livre.

Dopamina é um dos três hormônios da felicidade, ao lado da endorfina e da serotonina. "A dopamina é produzida pelo sistema nervoso central e pelas glândulas suprarrenais. Quanto mais embebido o nosso sistema nervoso está com esse neurotransmissor, maior nossa sensação de prazer. Isso melhora nosso estado de humor e nossa disposição. Quanto mais baixo está, menor a nossa disposição e maior nossos estados de humor negativo", explica a neuropsicóloga Luciana Xavier.

Assim, quando nos sentimos bem com o que vestimos, o sistema nervoso tem a tendência de começar a produzir a dopamina. Com o avanço da vacinação e o clima de otimismo, veio a vontade de vestir liberdade. "Tivemos um período de restrições e agora as pessoas querem se vestir de maneira que elas se sintam felizes", conta a gerente de serviços do cliente da WGSN, empresa de previsão de tendências, Mariana Santiloni.

O estilo não é necessariamente novo - afinal, o conceito existe desde os primeiros estudos sobre a psicologia das cores -, mas o termo, sim. "A gente começa a viver, agora, um arco-íris depois da tempestade e por isso vemos as cores como parte de um momento muito importante, no qual vamos voltar a celebrar, a se reunir novamente. Dar um nome traz um certo pertencimento", diz Mariana.

A tendência veio forte especialmente durante a semana de moda de Copenhague, em agosto. Na mesma época, o verão norte-americano também apostava em peças néon, tons vibrantes e mistura de estampas como animal print, xadrez e floral. Até nos desfiles deste semestre de marcas como Dolce & Gabbana (para o inverno) e Moschino (para o verão) a tendência estava presente.

"A moda sempre foi ditada pelos adultos. Nos anos 1970, eles começam a olhar a rua, mas ainda as maisons decidiam tudo. Nos anos 2000, a moda estava tão desatualizada, tão quadrada, que ela vira, então, essa grande mistura democrática de hoje. Olhando mais para o jovem, para rua", diz a consultora de moda Manu Carvalho. Com isso, é possível ousar mais, se permitir e fazer misturas "loucas" - desde que elas tragam felicidade. "Sabe quando a Marie Kondo fala ?Fique com aquilo que te traz alegria?? É totalmente sobre isso", brinca, usando como referência a organizadora que ganhou uma série na Netflix.