10 de julho de 2026
Geral

Conserto de eletrodomésticos esquenta negócios em bairros

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

O desejo de o bauruense comprar algo novo, nos últimos meses, deu lugar ao contentamento de arrumar o velho para que o objeto dure um pouco mais. Isso, ao menos, até a crise regredir. As empresas de assistência técnica especializadas em eletrodomésticos aumentaram a demanda de atendimento durante a pandemia. A quantidade de itens deixados para conserto, em Bauru, quase dobrou nos últimos seis meses, de acordo com proprietários ouvidos pelo JC nesta segunda-feira (1).

Antes da pandemia se propagar no Brasil, ainda no primeiro semestre de 2020, os preços de eletrodomésticos e eletrônicos vinham em uma tendência de queda. No entanto, pelo choque provocado na escalada do número de casos de contaminados pela Covid-19, além do fechamento do comércio, as indústrias começaram a subir os preços desses itens, também em função a fatores econômicos, entre elas a desvalorização do real.

Segundo uma pesquisa da FGV, as maiores altas foram observadas na máquina de lavar (12,39%), ventilador e circulador de ar (10,5%), computadores e periféricos (9,55%) e TVs (7,52%).

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, a falta de insumos nas cadeias de produção é um problema global que atinge vários setores produtivos. Quando obteve o insumo, a indústria teve que pagar mais caro por ele. E o setor não consegue produzir e entregar nos prazos o volume que os lojistas estão pedindo para atender aos consumidores nesta reta final de ano.

NO DIA A DIA

De acordo com Rogério Teixeira, que há 5 anos dirige uma empresa especializada em consertos na rua Floresta, no Parque Vista Alegre, nunca houve tanta procura para arrumar ferros de passar roupas. "Encareceu muito os produtos novos. Antes da pandemia, me recordo, quase ninguém trazia o ferro aqui. Os clientes compravam um novo e descartavam o velho. Agora não. As TVs sempre foram uma rotina para a clientela trazer, porque sempre foram caras. Mas cresceu bastante, ainda mais nos últimos seis meses, os pedidos para arrumar fritadeiras, secador e chapinha de cabelo, ventiladores e umidificador de ar", comentou.

Ele detalha que os preços para consertar estão muito mais em conta do que um eletrodoméstico novo, a não ser, é claro, quando o tipo de problema é irreversível. Ainda segundo ele, para deixar um ferro de passar roupas "novo" outra vez o custo fica entre R$ 25 e R$ 30. Para microondas, a média é de R$ 80 a R$ 100 o conserto.

E no caso de ventilador portátil, o preço para arrumar varia em torno de R$ 60,00. Rogério Teixeira acrescenta que tudo depende do tipo de modelo e das peças que os produtos exigem de reposição.

"Recebemos clientes todos os dias. No ano passado percebemos que o pessoal começou a ficar mais tempo em casa e aproveitavam para trazer objetos quebrados, há muito tempo parados, para conserto. Mas agora notamos que a motivação é financeira, para economizar", reitera o especialista.

SUSTO

A frustração de não poder usar um item por ter quebrado só não é maior do que o susto de ver o preço de um aparelho novo. Foi o caso do arquiteto Danilo Mojoni, 33 anos, que se viu obrigado a ter que levar a máquina de lavar roupas para arrumar um problema no dispositivo que controla o nível de água, após 3 anos de uso.

"O conserto ficou em R$ 180 e para comprar uma nova não achei uma semelhante por menos de R$ 1.300. E há três anos paguei R$ 1 mil. Também tive que comprar uma sanduicheira recentemente, que não possuía, e me assustei com o valor que estava", reclama.

EM ALTA

Para Lucinda Monteiro, de outra empresa de assistência técnica, na rua Saint Martin, no Centro, foi constatado nos últimos meses que aumentou a procura por conserto e que os clientes comentam que não está sendo possível comprar um item novo. "Os preços de aparelhos novos subiram bastante, mas ainda temos os clientes que têm apego sentimental ao produto e, pelo apego, preferem sempre consertar do que trocar. Está compensando, sim, arrumar e fazer o eletrodoméstico durar um pouco mais. Mas quando o tipo de problema faz com que o conserto não seja financeiramente viável, tanto para o cliente quanto para nós, já avisamos imediatamente", conclui.

Ainda segundo ela, um dos objetos que as pessoas têm levado bastante para consertar é o secador de cabelo, que tem média de R$ 50,00 para arrumar, mas isso, de acordo com Lucinda, depende muito do modelo.

Outro que também percebeu a alta de serviços é Hitoshi Asano, que possui empresa do mesmo ramo na rua Monsenhor Claro, próximo ao Centro. Há 38 anos no segmento de conserto de eletrodomésticos, a TV e o microondas têm sido as campeãs. A média de destinação para a sua empresa arrumar tem sido de 15 unidades por dia.