08 de julho de 2026
Geral

Litro do etanol já chega a R$ 5,39

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

O preço do etanol nas bombas continua em escalada em todo o País, inclusive em Bauru. Nesta semana, ao abastecer, os motoristas se depararam com o litro do combustível custando inéditos R$ 5,39 em alguns postos, encarecendo quase R$ 1,00 em menos de mês. Fatores como a safra da cana-de-açúcar menos produtiva e o preço do diesel contribuem para os aumentos. E, segundo especialistas do setor, a tendência é de que o produto continue ficando mais caro nos próximos meses.

Na tarde desta sexta-feira (5), o JC rodou por dez postos no município e os preços praticados para o litro do derivado da cana-de-açúcar alternavam entre R$ 5,27 e R$ 5,39. Para se ter uma ideia, em reportagem publicada em 9 de outubro, consta que o produto custava, na época, cerca de R$ 4,49.

Já em março deste ano, também segundo matéria do JC, o etanol era comercializado por aproximadamente R$ 3,89 na cidade.

A propagandista e vendedora Larissa Dias Fôlego, de 30 anos, consome cerca de dois tanques de etanol por semana para trabalhar e para atividades pessoais. Ela calcula estar gastando 60% a mais com combustível semanalmente, em comparação há dois meses. "Prefiro abastecer com álcool por ser mais sustentável em relação à gasolina. Mas, está muito caro. Está difícil", comenta a motorista.

Quem também sente no bolso esse aumento é a aposentada Deícola Geraldo, de 65 anos. "Abasteço dia sim, dia não. Mas, antes, os R$ 50,00 de álcool que colocava já nem enchem um quarto de tanque. Hoje, tenho que colocar quase R$ 100,00 para dar o mesmo tanto. Quero fazer a conta para ver se compensa mudar para gasolina", relata a condutora (confira a conta básica no quadro ao lado).

FATORES

Edivaldo Tuschi, presidente da Associação dos Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região (Arcomb), explica que o preço do etanol é afetado por várias condições. "Terminou a colheita da cana-de-açúcar este mês e, neste ano, a safra foi menor, com queda de 40% em algumas regiões, prejudicada pela estiagem e geadas. Ou seja, há menos cana para produzir etanol suficiente para atender a mesma demanda, o que faz o preço subir", avalia.

Ele ainda observa que a alta do diesel, usado nas máquinas e veículos envolvidos na colheita da cana, também contribui para o encarecimento do biocombustível. Além disso, o etanol mais caro pressiona o valor da gasolina, já que 27% do derivado de petróleo comercializado é composto por esse combustível. "Infelizmente, o preço deve continuar subindo até a próxima safra, em março do ano que vem. Baixar o preço seria bem difícil. Pode até reduzir, mas não para o mesmo patamar que tínhamos antes", conclui.