07 de julho de 2026
Ser

Sem bagunça para viver bem

Constança Tatsch
| Tempo de leitura: 2 min

Uma casa suja e bagunçada dificulta a vida. Não só pelo documento perdido ou a falta de um prato limpo, mas também porque afeta a saúde mental. Pesquisas e especialistas indicam que viver num lugar que parece ter recebido uma visita do Saci é fonte de estresse e ansiedade.

Não à toa, a rainha da organização, Marie Kondo, estreou no Netflix a segunda temporada de enorme sucesso do seu programa. As chamadas "personal organizers" vêm se proliferando, e o setor de limpeza foi um dos poucos a crescer na pandemia. Se antes era possível bater a porta e deixar tudo para depois, como as pessoas passaram a ficar mais em casa, se tornou mais difícil suportar o caos.

Estudo da Universidade da Califórnia publicado no Jornal de Personalidade e Psicologia Social com casais com filhos mostra que as mulheres que afirmam ter uma casa suja e bagunçada têm níveis aumentados de cortisol, o hormônio do estresse. Nos que não percebiam a desordem, grupo que inclui a maioria dos homens, os níveis do hormônio caíam ao longo do dia.

Outra pesquisa, da Universidade de New South Wales, na Austrália, que saiu na publicação científica Ambiente e Comportamento indica que cozinhas desorganizadas e com coisas para limpar levaram as pessoas a se descontrolarem com a comida - passaram a comer mais. "Uma casa desorganizada desencadeia estresse porque há grande quantidade de informações e coisas a fazer. Uma pessoa que é muito caótica acaba sendo mais ansiosa. E mesmo que esse estresse seja sutil, com o tempo ele desencadeia sintomas físicos e emocionais", diz a psicóloga Marilene Kehdi.

A produtora de eventos Adriana Serrano, 50 anos, precisou abrir mão da faxineira. Ao assumir o trabalho, descobriu nele uma forma de se tranquilizar. "O visual, a coisa limpa e clean sempre me acalmou muito. Durante a pandemia, comecei a me dedicar a limpar pequenos detalhes, coisas que a gente não faz no dia a dia. Isso me ajudou a passar por esse período",  conta.

Com o passar do tempo, ela entendeu que a bagunça e a sujeira prejudicavam sua saúde mental. "Já passei por períodos, quando estava atolada de trabalho, que não tinha tempo de arrumar e depois de 15 dias a casa virava um pandemônio. Ficava muito ansiosa, olhando pilhas de roupa para lavar, pia para encarar, até tomar coragem e dizer "ou arrumou ou não vou conseguir mais viver". Aprendi com os anos: antes eu sofria com a bagunça, mas não entendia o que podia sanar isso, não agia. Como não gosto de lavar louça, esperava juntar bastante, mas ia dando um desespero quando a pia ficava cheia. Isso me estressava. Agora lavo com mais frequência. Hoje tenho consciência de que fico mais feliz e relaxada", completa.