09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Argentina quer atrair brasileiros

Nathalia Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Destinos além de Buenos Aires e câmbio favorável são as apostas da Argentina para atrair brasileiros nessa retomada do turismo internacional. O Instituto Nacional de Promoción Turística (Inprotur), responsável pela promoção do país no Exterior, acredita em roteiros de natureza e na rápida conectividade com voos pela Aerolíneas Argentinas para 35 cidades a partir do Aeroparque, aeroporto dentro da capital.

Um dos investimentos do governo argentino foi a criação da Rota Natural, um menu de opções oferecido ao viajante para que ele trace o próprio roteiro pelo país. "Trata-se de um elemento importante porque vai dar visibilidade a todos os destinos argentinos emergentes. Estamos criando nove regiões com circuitos próprios internos em que o turista vai escolhendo os lugares aonde quer ir", diz Ricardo Sosa, secretário executivo do Inprotur.

A Argentina está aberta para brasileiros vacinados desde 1 de outubro. "Só exigimos um esquema vacinal completo com duas doses e um exame prévio de PCR de 72 horas. A partir do momento em que 50% da população foi totalmente imunizada, começamos a eliminar a exigência de um teste de antígeno na chegada", explica Sosa. O país aceita todos os imunizantes aplicados no Brasil, incluindo CoronaVac. Desde de 19 de outubro, não é necessário realizar o antígeno após o desembarque. Mas quem permanece mais de quatro dias na Argentina tem de fazer um PCR entre o quinto e o sétimo dia.

Sosa reforça que o objetivo é manter o fluxo turístico para os destinos conhecidos e levar os viajantes do Brasil a descobrir outros, "sem abandonar a tradição da cdade de Buenos Aires, a neve de Ushuaia e Mendoza com seus vinhos". "Mas, atualmente, metade das províncias da Argentina são produtoras de vinho. Então não se limita a Mendoza. A Rota do Vinho é San Juan, La Rioja, Catamarca, Tucumán, Salta, Jujuy."

Outro fator importante para expansão dessas rotas alternativas ao turismo que tradicionalmente o brasileiro pratica na Argentina é a malha aérea. Segundo Fabián Lombardo, gerente comercial da Aerolíneas Argentinas, a companhia tem voos para 35 destinos dentro do território nacional, todos saindo do Aeroparque. "Além de representar economia de tempo, é fácil chegar aos hotéis do centro da cidade", ressalta.

Entre os lugares que podem ser alcançados a partir do aeroporto, localizado no bairro de Palermo, estão Bariloche, Ushuaia e Mendoza. "Tem um destino novo que colocamos, Puerto Madryn, onde há avistamento de baleias, cuja temporada é agora em novembro", diz Lombardo.

Para incentivar a criação de roteiros para todo o país, a Aerolíneas Argentinas se reuniu com empresas brasileiras durante a Abav Expo 2021, principal feira nacional de turismo, realizada neste mês em Fortaleza, pela primeira vez presencialmente desde o início da pandemia. "São Paulo-Buenos Aires seria a partir de US$ 250, US$ 300, mais ou menos. Mas estamos negociando com operadoras do Brasil a montagem de pacotes especiais bem atrativos, para o brasileiro continuar visitando a Argentina", conta o gerente comercial da Aerolíneas Argentinas.

De acordo com o secretário executivo do Inprotur, vem sendo feito um trabalho para otimizar o tempo gasto na troca de voos na capital argentina. "Coordenando os horários de conexão, você pode fazer, por exemplo, Fortaleza à cidade de Buenos Aires com uma conexão de uma ou duas horas e ir até a província de La Rioja e Catamarca, que são lugares não muito conhecidos no Brasil", diz Sosa.

Além da Aerolíneas, a partir de 18 de novembro, a Latam passa a oferecer 24 frequências semanais entre São Paulo e Buenos Aires, sendo 10 para o Aeroporto de Ezeiza e 14 para o Aeroparque. Com três meses de funcionamento, a nova companhia aérea Itapemirim já manifestou o interesse em voar para a Argentina em 2022.