O número de imóveis com sistema de energia solar fotovoltaica triplicou em Bauru em apenas dois anos. As vantagens em produzir a própria energia, com menor peso para o bolso do consumidor, e as facilidades oferecidas para que um volume cada vez maior de pessoas possa ter acesso a este tipo de investimento são algumas explicações para o fenômeno.
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até a última sexta-feira (5), Bauru contava com 1.591 imóveis dotados de sistema de energia solar, quase o triplo do que era contabilizado em 2019, quando 561 edificações contavam com este tipo de equipamento. De lá para cá, foram instalados 1.030 novos sistemas, sendo 434 no ano de 2020 e 596 em 2021.
Trata-se de uma tecnologia que tem ganhado espaço entre os bauruenses especialmente para implantação em residências. Do total de 1.591 imóveis, ainda de acordo com a Aneel, 1.370 são residenciais, 175 comerciais e 32 industriais. Outros dois sistemas estão instalados em prédios do poder público e 12 em área rural.
Segundo Murillo Bueno de Araújo, gerente comercial da unidade franqueada da BlueSol em Bauru, a instalação de um sistema de energia solar fotovoltaica pode gerar uma economia de até 95% nas contas de energia. O investimento necessário varia de acordo com a quantidade de módulos (placas solares) que farão parte da instalação, mas, para sistemas menores, o retorno do valor desembolsado ocorre após cinco anos.
ECONOMIA
Araújo explica que o equipamento é vantajoso para imóveis que consomem a partir de 250 kwh/mês. Neste caso, o custo médio do kit solar parte de R$ 13 mil a R$ 14 mil, incluindo a instalação de cinco módulos.
Ele explica que uma família que consome 250 kwh por mês paga, em média, R$ 210,00 de energia elétrica. Se passar a utilizar energia solar e o imóvel tiver padrão de entrada bifásico, pagará a taxa mínima mensal, hoje em cerca de R$ 42,50. Se o padrão foi trifásico, o custo é de aproximadamente R$ 85,00. Sobre este valor, ainda há acréscimo de impostos.
"Para fazer esta conta da média mensal de consumo, fazemos o cálculo com base nas faturas dos últimos 13 meses. Então, antes de instalar, a pessoa vai saber se é vantajoso ou não. E os módulos podem ser colocados em qualquer tipo de telhado, porque a própria empresa providencia as adaptações necessárias", detalha.
O especialista em energia Braz Melero conta que possui este tipo de sistema em casa. Quando não tinha o equipamento, a fatura chegava a R$ 739,00 por mês. Agora, ele paga um valor 77% menor, de R$ 168,00 mensais, correspondentes à tarifa mínima do padrão trifásico e impostos.
CRÉDITO ENERGÉTICO
"É uma grande economia para o bolso e uma grande vantagem para o meio ambiente. Instalei esse sistema há quatro anos e já tive o retorno do investimento. O consumidor não tem qualquer trabalho, além das manutenções periódicas. Mas vale esclarecer que, se acabar a energia da rua, a energia dentro de casa vai continuar caindo também", descreve.
Outro detalhe é que mesmo quem vive em apartamento pode se beneficiar desta opção, desde que também seja titular da conta de energia de outro imóvel onde seja possível instalar os módulos e, assim, fazer o abatimento na fatura do primeiro endereço. "Isso é possível quando a energia produzida é maior do que a consumida pelo imóvel onde o sistema está instalado. É o chamado crédito energético. Porém, além de as duas contas precisarem estar no mesmo nome, os imóveis devem estar na mesma área de atendimento da distribuidora [CPFL]", frisa Melero.
Os créditos possuem validade de 60 meses e também podem ser usados para diminuir a conta nos meses em que a produção de energia solar for menor, como é o caso de períodos mais chuvosos ou nublados.