11 de julho de 2026
Polícia

'Gianequini' é condenado a 19 anos por mega-assalto à agência da Caixa

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

A Justiça Federal condenou a 19 anos, 8 meses e 25 dias de reclusão Tiago Ciro Tadeu Faria, conhecido como "Gianequini", pelo mega-assalto a uma agência da Caixa Federal na madrugada de 5 de setembro de 2018, no Centro de Bauru. A ação foi executada por, pelo menos, 20 homens fortemente armados, utilizando explosivos, e provocou medo na população com um intenso tiroteio de mais de uma hora (leia mais nesta página).

"Gianequini" é o primeiro a ser condenado pelo crime e está preso preventivamente desde setembro do ano passado. A sentença, em primeira instância, está baseada, entre outras provas, em exames de DNA do réu que coincidem com material biológico colhido de itens apreendidos durante as investigações.

A decisão foi proferida pela juíza federal Maria Catarina de Souza Martins Fazzio. "Gianequini", como Tiago também é citado no processo, foi condenado pelos crimes de organização criminosa (6 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, além de 21 dias-multa) e roubo (13 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão, além de 35 dias-multa).

PERFIL GENÉTICO

O material biológico do réu foi encontrado em dois itens apreendidos após o assalto: uma touca balaclava, achada em um dos veículos usados pela quadrilha, e uma guimba de cigarro, localizada pelos peritos no imóvel alugado pela organização criminosa para servir de base ao ataque à agência bancária. No interior do veículo, foram encontrados objetos que comprovam o seu uso na ação criminosa, como rádios HT, carregadores de pistola, diversas munições, coletes à prova de balas, máscaras de gás e aríete metálico.

Um laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal aponta correspondência com o perfil genético encontrado nesses dois objetos com as análises de uma máscara e uma cueca de "Gianequini" apreendidas dentro de sua cela na penitenciária, em abril deste ano, durante cumprimento de mandado.

O laudo também indicou correspondência genética com itens apreendidos depois de um assalto a uma agência do Banco do Brasil na cidade de Lajes, Rio Grande do Norte, em 2017; um roubo a uma empresa de transporte de valores na Cidade do Leste, Paraguai, também em 2017; e outro assalto a uma agência da Caixa na cidade de São Paulo, em 2014.

As investigações também apontam a participação de "Gianequini" a outros roubos a bancos na região (leia mais na página abaixo).

DEFESA

Durante o processo, o réu negou a participação nos fatos imputados, mas não soube explicar por qual razão seu material genético fora encontrado em dois objetos apreendidos no cenário dos crimes. Insinuou que referidas provas podem ter surgido em virtude de possíveis irregularidades na atuação da Polícia Civil, que o perseguiria, porque ele e sua companheira, no passado, denunciaram policiais civis que a teriam extorquido, causando a prisão, condenação e a perda do cargo dos mesmos.

No entanto, segundo a sentença, nenhuma prova concreta foi produzida pela defesa para comprovar sua tese de perseguição ou de indevida intervenção de policiais civis.

O assalto a banco em Bauru tem outros denunciados e as ações ainda estão tramitando na Justiça.