Faltam exatamente duas semanas para a Black Friday e quem está em busca de bons negócios e reais descontos deve se planejar. Em um ano de inflação alta e salários achatados, é importante definir prioridades, pesquisar preços e ter foco na hora da compra para não cair em armadilhas e comprometer o orçamento, aponta o economista Mauro Gallo. Neste ano, a sexta-feira dos descontos, considerada uma das datas mais importantes para o comércio, será no dia 26 de novembro.
Segundo o especialista, o consumidor deve usar o dinheiro de forma mais consciente neste ano, sem exageros. Nos últimos 12 meses, a inflação acumula alta de 10,25%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "O pessoal está com dinheiro curto, principalmente as camadas mais populares. Devem gastar menos e mirar produtos necessários, como a troca de uma geladeira ou fogão", afirma.
PESQUISE BEM
Acompanhar preços continua sendo a dica mais valiosa, especialmente para não cair em falsas promoções. Nos últimos anos, a prática se popularizou como "tudo pela metade do dobro", uma referência à subida de preços às vésperas da Black Friday para, então, oferecer descontos supostamente atraentes.
"Não adianta fingir que vai dar desconto. Aí, o lojista não vai conseguir vender no volume que seria bom para ele. Se a camada mais popular está tendo que controlar até o que comer, imagina na hora de comprar um produto. Acredito que essa limitação no orçamento também tem deixado as pessoas mais atentas e conscientes. E a Internet é uma grande aliada", avalia Gallo. Uma dica é consultar sites de monitoramento de preços (veja mais no quadro).
Evitar o impulso também é regra básica. Principalmente porque, como o período é curto para aproveitar as ofertas, muitos consumidores agem por motivações indevidas. "A pessoa deve ter foco, analisar friamente se aquilo que deseja realmente é o que precisa. Pode estar em promoção, mas, se eu não preciso, vou arrumar uma dívida à toa. No começo do ano, tem material escolar, uniforme e uma série de impostos", lembra o economista.
FAZENDO CONTAS
Saber usar o cartão de crédito também é imprescindível. "Se o valor parcelado for igual ao da compra à vista, pode valer a pena. Mas o que nunca deve ser feito é comprar com o limite do cartão e, depois, ficar pagando só a fatura mínima. Os juros do cartão chegam a 300% ao ano, é um dos mais altos do mercado. Isso pode comprometer a renda da pessoa durante muito tempo, aí não adiantou aproveitar um desconto da Black Friday", alerta Gallo.