11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Brasil se posiciona a favor de um novo mercado global de carbono

Ana Carolina Amaral
| Tempo de leitura: 2 min

Glasgow - Após ter bloqueado as negociações que buscavam criar um mercado global de carbono na COP-25 (em 2019, em Madri), o Brasil flexibilizou suas posições para a atual conferência do clima, que acontece em Glasgow até esta sexta-feira.

O País, na COP-26, está confiante na conclusão da regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris, que cria as regras para a comercialização de créditos de emissão de gases-estufa entre países e também entre projetos do setor privado.

"Tem uma proposta em andamento que o Brasil claramente está apoiando, uma proposta que garante toda a integridade do sistema", afirmou à imprensa nesta quinta-feira (11) o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, no pavilhão do Brasil na COP-26.

AO LADO DO JAPÃO

A proposta que animou os brasileiros foi feita pelo Japão, segundo integrantes da delegação brasileira, e consiste em uma condição intermediária entre o que o Brasil vinha propondo nas últimas conferências e o que países desenvolvidos defendiam para o item 6.4 do acordo, que trata do comércio de emissões entre projetos independentes dos governos nacionais.

O Brasil defendia que os créditos comercializados por outros atores não deveriam ser abatidos da conta das emissões do País mantida pelo governo federal. A proposta era acusada de atentar contra a integridade ambiental do acordo climático, dando uma brecha para a dupla contagem -caso em que um mesmo resultado de redução de emissões seria contabilizado tanto na prestação de conta do comprador quanto do país vendedor.

A solução japonesa é aumentar o rigor do comércio entre os projetos negociados pelo setor privado global, em uma transação que passaria pela convenção do clima da ONU e também pelo crivo dos países envolvidos.

A União Europeia também elogiou o Brasil pela "postura construtiva" nas negociações do mercado de carbono.

"Não é abrindo mão, é claramente um posicionamento construtivo do Brasil nessa direção", afirmou o ministro sobre a flexibilização das posturas defendidas pelo país nas negociações.