11 de julho de 2026
Internacional

Argentinos vão às urnas escolher 127 deputados e 24 senadores hoje

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Nos últimos dois meses, o presidente Alberto Fernández fez mais eventos de campanha do que muitos dos candidatos que disputam as eleições deste domingo (14). No período, reuniões com ministros ou despachos de seu gabinete na Casa Rosada foram substituídos por visitas a bairros pobres, comícios em diferentes províncias e entrevistas a veículos alinhados ao governo, como é típico no peronismo.

O esforço tem justificativa. Se os peronistas repetirem os maus resultados das primárias em setembro, os dois anos restantes da gestão de Fernández vão ocorrer em mares ainda mais turbulentos.

Ainda que o pleito legislativo seja dividido por distritos, é simbólico que o governo tenha perdido nas primárias por dez pontos percentuais no cenário geral, num resultado acachapante: derrota em 18 dos 24 distritos do país, incluindo a província de Buenos Aires, que concentra 38% do eleitorado nacional.

A ELEIÇÃO

Neste domingo, 34 milhões de eleitores vão às urnas para eleger 127 deputados --de um total de 257-- e 24 senadores --de 72. Enquanto todas as províncias do país vão escolher deputados, apenas oito votarão para senadores: Córdoba, Corrientes, Tucumán, Chubut, Santa Fé, Catamarca, Mendoza e La Pampa.

As principais pesquisas apontam que as cifras do pleito serão as mesmas das primárias, ou seja, avanço da principal aliança opositora, a Juntos por el Cambio (JpC), de centro-direita, capitaneada pelo Proposta Republicana, partido do ex-presidente Mauricio Macri. Alguns institutos, porém, apontam leve recuperação da coalizão governista, a Frente de Todos (FdT), de diferentes grupos peronistas, mas sem ameaçar um triunfo da oposição. Há, ainda, sondagens que preveem derrota ainda mais expressiva para o governo.

Uma das regiões em que a disputa é mais acirrada é a província de Buenos Aires, onde os peronistas dedicaram especial atenção após perderem por quatro pontos percentuais. Segundo a consultoria Raúl Aragón & Asociados, o representante do Juntos por el Cambio, Diego Santilli, lidera com 39% das intenções de voto, mas a peronista Victoria Tolosa Paz diminuiu a diferença e agora tem 37%.

ULTRADIREITA

Na capital do país, a cidade de Buenos Aires --que tem status de província--, a distância é maior para a oposição. Segundo a Consultora de Imagem e Gestão Política, a ex-governadora María Eugenia Vidal (JpC) lidera com 46% das intenções de voto, contra 25% do peronista Leandro Santoro (FdT).

É em Buenos Aires, também, que a ultradireita tem mais apoio. A aliança Avanza Libertad, com o economista Javier Milei à frente, conquistará, segundo as sondagens, 15% dos votos, o que a colocaria como a terceira força política na capital argentina. Em nível nacional, porém, reúne só 5% da preferência.

Há ainda entre 15% e 19% de indecisos, e 74% afirmam que votarão no mesmo candidato das primárias.