08 de julho de 2026
Nacional

Cúpula: documento final da COP-26 fica aquém do desafio

Ana Carolina Amaral
| Tempo de leitura: 2 min

Glasgow - A COP-26 concluiu na noite do último sábado (13), em Glasgow (Escócia), o livro de regras do Acordo de Paris, após cinco edições da conferência do clima da ONU com negociações para regulamentar o acordo climático.

De lá para cá, o agravamento dos eventos climáticos extremos e os novos relatórios científicos do IPCC (Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças do Clima, na sigla em inglês) aumentaram a relevância da conferência e também a pressão para que os países ampliem suas metas climáticas (as NDCs, na sigla em inglês para contribuições nacionalmente determinadas).

No entanto, a falta de novos compromissos de financiamento climático por parte do bloco desenvolvido barrou a disposição do restante do mundo de ir além com suas metas de redução de emissões de gases-estufa.

TAXA

O chamado G-77 mais China, bloco dos países em desenvolvimento, impediu o início da sessão prevista para a manhã do sábado (13), para insistir na reivindicação de um mecanismo adicional de financiamento à adaptação, que não foi aceito. A proposta consistia em uma taxa percentual aplicada às transações do mercado de carbono, que iriam para o fundo de adaptação.

A COP-26 aprovou a taxa de 5% sobre a transação de créditos de carbono comercializados entre projetos do setor privado ou de ONGs. No entanto, as transações entre os países ficou livre de taxa e, portanto, sem contribuição para os fundos de adaptação, por uma recusa do bloco desenvolvido.

Pelo mercado de carbono regulamentado na COP-26, países podem comprar "autorizações" de emissão de carbono para ajudar a cumprir suas metas climáticas, remunerando aqueles países cujas ações, em compensação, reduzem emissões.

IMPASSE

O item foi um dos principais impasses nas últimas cinco edições das COPs climáticas, mas foi destravado na quinta-feira (11) com uma proposta elaborada pelo Brasil de criação de um mecanismo para definir em uma instância de implementação dos critérios que não tinham consenso na regulamentação.

O Japão foi o porta-voz da proposta e a protegeu da crise de credibilidade enfrentada pela delegação brasileira. Apesar de deixar brechas sobre a contabilidade dos créditos de carbono, a solução contou com ampla aceitação, permitindo a conclusão do livro de regras.