Falta pouco mais de um mês para a chegada do Natal, data que, neste ano, terá um sentido ainda mais profundo pela possibilidade cada vez mais concreta de reencontro e recomeço, após mais de um ano e meio de limitações e incertezas sobre o futuro trazidas pela pandemia da Covid-19. Com o avanço da vacinação e a consequente queda de casos, internações e mortes pela doença, muitas pessoas que passaram o Natal do ano passado sozinhas ou acompanhadas de poucas pessoas já planejam voltar a fazer confraternizações maiores com a família.
Outras, ainda não tão confiantes, não pretendem reunir muitos parentes e amigos, mas, ainda assim, avaliam que a data terá um 'gostinho' diferente, de superação, depois de tantas dificuldades enfrentadas, de reverência aos que não sobreviveram à pandemia e de proximidade com quem perdeu entes queridos e precisa de uma rede de apoio para se fortalecer.
Segundo Antonio Walter Ribeiro de Barros Junior, professor de antropologia, cultura e literatura na Unisagrado, assim como foi a pandemia da Covid-19, este momento de retomada também é inédito para todos os bauruenses. E é por isso que ele ganha um sentido diferente, reforçando o símbolo de renovação trazido pelo 25 de Dezembro, feriado cristão que celebra o nascimento de Jesus, e também pelo Réveillon, que marca o encerramento de um ciclo e início de um novo.
"Acredito que todas estas tradições serão vividas mais intensamente, no sentido religioso e também social, de celebrar a renovação de valores familiares, o resgate dos valores que permeiam todas as relações da sociedade, da dimensão humana de Cristo, tão pouco vivenciada. Acredito que as pessoas darão mais valor a isso, depois de tanto sofrimento, porque todos nós, com menor ou maior intensidade, fomos atingidos pela pandemia", analisa o professor.
'CALOR HUMANO'
Ele lembra que, apesar de a tecnologia ter facilitado a conexão com amigos e familiares, o afastamento compulsório que permeou a pandemia afetou a todos. E, ainda que o Natal, na tradição cristã, seja um momento de introspecção, é também caracterizado pela partilha de tudo o que se viveu durante o ano, com um aspecto lúdico, de calor humano, próprio da latinidade e, particularmente, da cultura brasileira.
"Esse contato físico fez falta. Então, este momento terá um caráter todo especial, ainda com cuidados. Agora, ainda mais, há motivos para celebrar a passagem para uma nova era, com esperança no futuro, preservando a memória de quem não sobreviveu à pandemia", observa.
E é com este sentimento de esperança renovada que muitas famílias, como a da dona de casa Maria Aparecida Rodrigues Nascimento, 65 anos, irão passar o Natal e o Ano Novo. Assim como no ano passado, ela pretende comemorar a data na companhia apenas do marido, dos três filhos e noras.
Considerando que a pandemia ainda não acabou, Maria optou por ainda não promover uma festa maior, com cerca de 25 familiares, como fazia antes, mas destaca que, mesmo assim, a celebração terá um sentido especial. "No ano passado, meus filhos vieram em casa apenas para a ceia e logo foram embora, para não ficarmos tanto tempo em contato. Foi um Natal bem atípico. Agora, com todos vacinados, teremos a oportunidade de nos reunir com um pouco mais de tranquilidade, com possibilidade de nos abraçarmos bastante e superarmos todo esse distanciamento, que foi muito difícil para a gente", completa.