09 de julho de 2026
Internacional

Seis candidatos vão disputar a Presidência do Chile neste domingo


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Seis candidatos disputam o direito de comandar o Palácio de La Moneda, sede do governo, a partir de março de 2022. Nenhum deles tem mais de 30% das intenções de voto, segundo as pesquisas mais recentes, o que deve levar a decisão para um segundo turno - a ser disputado em 19 de dezembro. Esse cenário também tem um grau de incerteza, por dois fatores: 23% dos eleitores ainda se dizem indecisos, e o histórico dos levantamentos desse tipo no Chile abre espaço para algumas surpresas.

De acordo com o instituto Cadem, a corrida é liderada pelo ultradireitista José Antonio Kast, com 25% das intenções de voto. Depois, está o esquerdista Gabriel Boric, com 19%. Na sequência vêm o centro-direitista Franco Parisi (10%), a centro-esquerdista Yasna Provoste (9%) e o governista Sebastián Sichel (8%).

A candidatura de Kast, 55 anos, é a surpresa desta eleição. Há três meses, ele ocupava o quarto lugar nas pesquisas, mas cresceu ao elevar o tom de suas críticas a Piñera e ao adotar o discurso do medo quanto à possibilidade de a esquerda chegar ao poder - àquela altura, Boric era o líder. Com as bandeiras do anticomunismo e do antiglobalismo, propagandeando uma política restritiva em relação à imigração e linha-dura na área de segurança, o nome da direita ganhou espaço.

Esta não é a primeira vez que Kast disputa a Presidência. Em 2017, teve 8% dos votos e ficou de fora do segundo turno. Sua defesa da ditadura liderada por Augusto Pinochet (1973-1990) rende discussões acaloradas nas redes sociais. No último dia 13, afirmou que o regime não poderia ser comparado aos atuais de Cuba e da Venezuela porque no Chile não teria havido perseguição a opositores. Os fatos não corroboram o discurso: no período ditatorial chileno desapareceram mais de 3 mil pessoas.

"É uma eleição histórica, em que, pela primeira vez, nenhuma das duas forças que dominaram a política chilena estará no páreo. É uma renovação total nesse sentido", afirma o cientista político Cristóbal Belollio. Para o estudioso, porém, é raso afirmar que o país vive uma polarização radical.