Particularmente, fico muito entusiasmado quando uma sonda qualquer descobre a composição do solo de Marte ou qualquer outro planeta de nosso sistema solar. As ideias que surgem são várias. Quantos filmes não exploravam essas possibilidades há algumas décadas na antiguidade? Quantas cabeças não imaginariam que tipo de solo, quais materiais da tabela periódica - ou mesmo algum elemento ainda a ser descoberto - poderiam fazer parte deste mundo desconhecido e inóspito - até onde sabemos.
As eventualidades são várias!
E arrisco a dizer que as possibilidades beiram o infinito, existindo nessa imensidão gigantesca vazia e misteriosa chamada universo, que compreendemos tão pouco em contraposição à nossa sede de exploração - uma mistura de medo e vontade, como alguém paralisado, embora com paraquedas, prestes a saltar do pico de um morro enorme. A sensação é única das duas formas: o paraquedas funcionando ou não. O interessante está no desenrolar de uma dessas eventualidades. Trágico ou prazeroso? Quem poderia dizer senão aquele que salta?
Andando pelas ruas divagando nessas aventuras imaginárias regadas a Isaac Asimov e Júlio Verne, olho ao redor e imagino, do mesmo modo, uma cidade ideal: sem soberba ou avareza, sem desconfiança para com algum desconhecido que passando acenando com um sonoro "bom dia". Sem a necessidade de se precaver com pessimismo para com os nossos próximos, tão humanos quanto nós pensamos que somos ou que seremos algum dia, regando as ruas das pequenas e grandes capitais com todo nosso grande egoísmo. Sem a fome. Ou, melhor dizendo, sem famintos.
Quanto custaria tudo isso?
Não sei e nem me ocupo em tentar calcular tamanha fortuna para o idealismo utópico que permeia a sociedade desde os tempos de Platão.
Entretanto, o que me incomoda, por mais interessante e empolgante que seja, é que estamos empenhados no dever errado. Nosso senso de humanidade nos fez, uma vez mais, escrevermos nossa história de tráz pra frente, de baixo pra cima: estamos descobrindo a superfície de marte e não acabando com o sofrimento dos nossos, aqui, na Terra. O problema nunca foi nem nunca será o dinheiro. Tampouco a solução.