07 de julho de 2026
Esportes

Condenado


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O ex-presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) Carlos Arthur Nuzman foi condenado a 30 anos, 11 meses e oito dias de prisão pela acusação de ter participado do pagamento de propina a membros do COI (Comitê Olímpico Internacional) em troca de votos para o Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas de 2016. O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, também condenou o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-diretor da Rio-16 Leonardo Gryner, acusados de envolvimento no esquema. Cabral foi condenado a 10 anos e 8 meses de prisão, somando assim mais de 414 anos de pena. Gryner foi condenado a 13 anos e 10 meses de prisão.

De acordo com o Ministério Público Federal, os três participaram do pagamento de US$ 2 milhões ao senegalês Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, em troca de votos para a candidatura carioca na eleição no COI realizada em outubro de 2009. O dinheiro, segundo a investigação da Procuradoria, foi viabilizado pelo empresário Arthur Soares e debitado da propina combinada por ele a ser paga para o ex-governador.

O processo contra os três era um dos que estavam parados há mais de um ano no gabinete de Bretas, aguardando sentença. O advogado de Nuzman chegou a recorrer ao TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) para determinar o proferimento da sentença.

Nuzman sempre negou a acusação. Afirmou que não tinha conhecimento de qualquer pagamento e que a escolha do Rio de Janeiro se deveu ao empenho dos integrantes do comitê de candidatura.

Sua defesa também alegou que o caso investigado se tratava de uma possível corrupção privada, crime não previsto na legislação brasileira. O magistrado entendeu, porém, que o COB é uma entidade de caráter público e que Nuzman contou com benefícios conferidos a "seletos funcionários públicos", como passaporte diplomático durante a campanha.

O dirigente chegou a ficar preso preventivamente por 15 dias, mas foi solto por habeas corpus do STJ (Superior Tribunal de Justiça). A investigação levou à renúncia do cartola da presidência do COB após 22 anos no comando da entidade.

Quatro cidades foram candidatas na eleição de 2009 (além do Rio, Madri, Tóquio e Chicago). A vitoriosa seria definida por eliminação. A cada rodada, a cidade menos escolhida era retirada da disputa, iniciando nova votação.

"Ele (Nuzman) chegou com o Léo Gryner: 'Olha, governador, nós temos todas as chances de ganhar. Fizemos uma campanha bonita, os três níveis de governo envolvidos. O presidente da federação internacional de atletismo, Lamine Diack, se abre para vantagens indevidas. Fizemos contato com ele. E há uma garantia de cinco a seis votos. E eles querem US$ 1,5 milhão'", relatou Cabral.

O emedebista relatou que Nuzman e Gryner o procuraram depois pedindo mais US$ 500 mil a fim de garantir até nove votos. Na primeira rodada de votação, a cidade brasileira teve 26 votos, enquanto Chicago foi eliminada com 18. Caso a candidatura carioca tivesse perdido os até nove votos supostamente comprados para a concorrente, a cidade não teria passado.

Após a primeira rodada, o Rio manteve larga vantagem sobre as demais, tendo atraído os votos dos eleitores das cidades eliminadas. Na última votação, superou Madri por 66 a 32.

As principais provas do processo eram o comprovante de transferência de US$ 2 milhões de uma empresa de Soares para uma firma de Diack e uma série de e-mails de Massata Diack fazendo cobranças mesmo após o pagamento ser realizado.