09 de julho de 2026
Regional

MP denuncia quatro por morte de Betinho

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Após conclusão do inquérito pela Polícia Civil, o Ministério Público de Jaú (47 quilômetros de Bauru) denunciou quatro homens pela morte do músico Roberto Padrenosso Filho, mais conhecido como Betinho Padrenosso. Os acusados integram o grupo que transportou Betinho de forma compulsória para uma clínica de reabilitação em Valinhos (SP), onde o músico teria chegado morto em 8 de novembro. O promotor Rogério Rocco Magalhães aponta que os quatro homens cometeram, em concurso, sequestro e cárcere privado e homicídio duplamente qualificado, com emprego de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima.

A denúncia, que foi oferecida na última quarta-feira (24), solicita a prisão preventiva de dois homens que acabaram soltos na audiência de custódia realizada na semana em que a morte do cantor ocorreu. E pede a manutenção da prisão de outras duas pessoas, também presas na ocasião.

O MP aponta que um dos homens soltos foi reconhecido por testemunha como um dos agentes que espancaram a vítima nas proximidades de um supermercado no Centro de Jaú. E o outro é apontado como o mentor do sequestro que culminou com a morte do músico, porque teria negociado a internação e remoção com uma familiar.

Segundo a promotoria, com base nas investigações foi possível concluir que a morte teria decorrido das lesões que a vítima sofreu durante a condução até a clínica de reabilitação. A clínica nega qualquer vínculo com os acusados.

AGRESSÕES

Inicialmente, o grupo alegava que Betinho teria batido a cabeça ao abrir a porta e se jogar do veículo, um Renault/Kwid, em movimento, ainda no limite do município de Jaú. Ainda assim, o bando seguiu viagem sem prestar socorro ao músico, que foi atendido apenas horas depois em um hospital de Valinhos, após a clínica recusar a internação da vítima desacordada. Por este motivo, os homens foram detidos inicialmente.

Betinho teria sido contido com socos, chutes e golpes como "gravata" ao tentar reagir à condução forçada do grupo.

Um dos acusados chegou a alegar à polícia que a vítima teria concordado com a remoção até a clínica, mas as investigações mostraram que músico foi acordado às 6h da manhã e conduzido apenas com trajes íntimos na viagem. Além disso, o corpo apresentava marcas de cadarços amarrados nos punhos.

"Se trata de homicídio duplamente qualificado praticado por pessoas envolvidas em atividade criminosa altamente rentável, qual seja, a perpetração de internações involuntárias clandestinas. São pessoas sem escrúpulos, verdadeiros mercenários da desgraça alheia", aponta o promotor.

DESPREZO

Para o promotor os acusados desprezaram ainda a agonia do músico. "... espancaram a vítima impiedosamente com socos, chutes e gravatas, além de amarrarem-lhe os punhos com cadarços, provocando-lhe sofrimento atroz e desnecessário".