11 de julho de 2026
Nacional

Morre o arquiteto Ruy Ohtake, criador do Unique e do Renaissance, aos 83 anos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Morreu na manhã deste sábado (27), aos 83 anos, o arquiteto paulistano Ruy Ohtake, que assinou obras como os hotéis Unique e Renaissance, além da sede do Instituto Tomie Ohtake, todos na capital paulista. Filho primogênito da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake, ele tinha um câncer de medula.

A morte foi confirmada por seu irmão, o gestor cultural e artista gráfico Ricardo Ohtake. "Para Ruy, arquitetura era uma obra construída. E ele deixou uma quantidade muito grande de obras como legado", diz.

A empresária Marcy Junqueira, casada com Ricardo, lembra a dedicação de Ruy pela profissão. "Depois que a família almoçava junto aos domingos, deixávamos ele no escritório. Eu acho que ele tinha um amor pela arquitetura e foi o exemplo mais incrível que eu vi na minha vida" afirma.

O governador de São Paulo, João Doria, lamentou a morte do paulista. " Um grande mestre da arquitetura tal qual sua mãe, Tomie Ohtake, foi nas artes. Ambos contribuíram muito para a cultura e os valores do Brasil. Meus sentimentos aos familiares e amigos", escreveu nas redes sociais.

Ruy Ohtake assina mais de 300 projetos no país que vão desde casas a prédios comerciais cheios de cores, curvas e espelhos que se destacam no horizonte. São dele também projetos do Parque Ecológico do Tietê, concluído em 1976, e o de Indaiatuba, em 1991.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo) em 1960, ele desenvolveu sua obra a partir a escola paulista de Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Em 1961, fundou o seu escritório, na capital paulista, e logo passou a desenvolver projetos de residências, além de edifícios comerciais e industriais.

E foi inspirado por Nyemeyer e Aleijadinho que Ohtake começou a usar de forma mais ousada curvas e cores -algo que a arquitetura paulista até então não usava muito.

Em 2019, em depoimento à Folha, Ruy desabafou ao dizer que achava que a população gostava muito dos seus trabalhos, mas os arquitetos, não.

"No começo, eu ficava preocupado porque a inteligência da arquitetura levantava polêmica. Há um establishment aqui, e eu dei um passo à frente. Todo rompimento no que está instalado gera polêmica com quem está na vanguarda, mas a arte e a arquitetura avançam em saltos", afirmou o paulista.

"Hoje, acho que estou no caminho de contribuir com a arquitetura contemporânea brasileira. Em todas as minhas obras, me preocupo com a liberdade criativa, a surpresa e a inovação. Acho que meu desafio é dar continuidade à arquitetura do país, e não ficar estancado como ficamos em São Paulo."

Considerado um dos principais arquitetos contemporâneos do país, ele recebeu vários prêmios durante sua carreira. Em 1971, por causa de obras urbanas, foi agraciado com o Prêmio Carlos Millan, concedido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil. O mesmo órgão ainda o homenagearia, em 2016, com uma colenda por sua contribuição à arquitetura do país.