11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Saiba como começar a empreender enquanto você está empregado

Dante Ferrasoli
| Tempo de leitura: 2 min

Quem busca empreender enquanto tem um outro trabalho precisa ficar atento a alguns pontos para conciliar as duas atividades. Além da gestão do tempo, é necessário ter um objetivo bem definido. "Tem gente que, empregada, entra num negócio porque tem um hobby, mas é preciso saber se de fato há um mercado para isso e traçar metas, ou fazer o que você gosta pode acabar dando prejuízo", diz Juliana Segallio, consultora do Sebrae-SP. "Você pode ter afeto [pelo trabalho], mas precisa de lucro", completa.

A especialista também recomenda levar em consideração aspectos burocráticos. Quem abre um CNPJ como MEI (microempreendedor individual) não tem, por exemplo, direito ao seguro-desemprego se for demitido do outro trabalho. A engenheira Claudia Patrícia Bauer Hernandes, 59 anos, resolveu conciliar sua rotina de funcionária da Sabesp com a de empreendedora quando percebeu que um hobby antigo, o de fazer doces, poderia virar um negócio. Mas, para isso, ela se capacitou para conseguir gerir a empresa.

Desde que a confeitaria The Baundes foi formalizada, em 2017, ela busca levar as duas vidas em paralelo, sem deixar que uma interfira na outra. "Não queria que alguém dissesse que eu usava o tempo de trabalho para tocar meu negócio. Então, eu faço as coisas da confeitaria à noite, aos fins de semana e até na hora do almoço", conta ela.

Nesse tempo, Claudia aprendeu a fazer estoque, a controlar qualidade do produto e também buscou nutricionistas para desenvolver os doces. Durante as capacitações, à época presenciais e à noite, conheceu outros empreendedores. "Foi bom para aumentar minha rede de contatos."

Há também quem tenha abandonado o antigo trabalho durante a empreitada. Matheus Boso, 23 anos, de Lençóis Paulista, trabalhava numa loja de eletrônicos quando, em 2016, fundou a Forever Cabelos, ecommerce do setor da beleza. "Foi corrido. Eu ia com a minha mãe despachar coisa nos Correios no horário de almoço. À noite, cuidava da propaganda e via cursos online. Além disso, eu ainda estudava na época", relembra.

Até que ele tomou a decisão de sair do trabalho, ainda que ganhasse mais lá. "Tinha até um bom salário para alguém de 18 anos. O lucro da empresa era maior, mas precisava reinvestir. Não compensava sair. Fiz um sacrifício, comecei a viver com menos."

A aposta deu certo. Cinco anos depois, a Forever Cabelos, agora renomeada como Prohall, que vende online, mas foca a produção de cosméticos, já emprega 52 pessoas. Durante a pandemia, quando houve um boom no setor de beleza, o negócio cresceu 250%. Deve fechar o ano com faturamento de R$ 25 milhões.