Primeiro, ganhou velocidade a corrida para criar uma vacina anticovid. Deu certo, com bons resultados e queda de mortes nos locais onde há imunização em massa. Agora, a guerra contra o coronavírus tem avançado por outra trincheira: os remédios. Não produtos sem eficácia comprovada contra a doença, como a cloroquina, mas os que têm aval dos especialistas. Desenvolvidos não só para tratamento, os medicamentos prometem abrir nova perspectiva. "Sempre existirão aqueles que vão desenvolver a doença. Para esses, ter perspectiva de terapia medicamentosa é importante", diz a epidemiologista da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel.
TRÊS REMÉDIOS
Nas últimas semanas, anúncios de ao menos três farmacêuticas trouxeram otimismo. O primeiro foi um remédio produzido pelas empresas Merck Sharp & Dohme (MSD) e Ridgeback Biotherapeutics, a pílula Molnupiravir. O laboratório divulgou, em outubro, potencial de reduzir em 50% o risco de hospitalização ou morte dos pacientes. Nesta sexta-feira, 26, a farmacêutica informou que novos testes apontaram eficácia de 30%.
Também neste mês, a Pfizer divulgou resultados de estudos apontando que o antiviral Paxlovid teve eficácia de 89% na redução do risco de internação ou morte entre pessoas com casos graves de Covid.
Como os dois são remédios orais, a expectativa é de que, se tiverem aprovação da Anvisa, possam chegar ao mercado por custo menor do que os de remédios via injeção, como o antiviral Remdesivir e os anticorpos monoclonais. Atualmente, o tratamento com o Remdesivir, um dos seis remédios aprovados pela Anvisa pode custar cerca de R$ 15 mil.