A Polícia Civil prendeu na manhã desta segunda-feira (29), em Bauru, o vereador Carlinhos do PS (PTB) e mais cinco pessoas ligadas a ele. Além das prisões temporárias, de cinco dias, também foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão no gabinete dele na Câmara, na casa do parlamentar e em outros endereços por determinação da 1ª Vara Criminal da cidade.
A operação desencadeada pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) apura crimes como concussão e corrupção eleitoral.
Além do vereador, foram presos Gleison Aparecido Contador, assessor parlamentar da presidência da Câmara; Luis Carlos Alves Junior e Laercio Pereira, assessores de Carlinhos do PS; Agenor de Souza, servidor aposentado do DAE, e Fábio Manoel de Campos, servidor da prefeitura.
A suspeita, segundo as investigações, é de que essas pessoas intermediavam favores como cestas básicas, equipamentos esportivos, medicamentos e até cirurgias em troca de votos para reeleger o vereador, caracterizando crime de corrupção eleitoral. Bastazini é parlamentar desde 2009, há quatro legislaturas consecutivas.
De acordo com as investigações, parte do financiamento do esquema vinha da prática conhecida como "rachadinha", nome dado quando funcionários de cargos comissionados repassam parte dos salários para o agente político que os indicou para o cargo. Segundo o delegado responsável pelo Seccold, Gláucio Eduardo Stocco, que comanda as investigações, ao menos três pessoas lotadas na Emdurb até o ano passado repassavam 50% dos vencimentos de volta para Bastazini.
O parlamentar e as pessoas ligadas a ele foram levados à Deic. Documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos no gabinete do vereador. Na casa de Carlinhos, a Polícia encontrou R$ 63,4 mil em espécie e o parlamentar, segundo a Polícia, não soube dizer a origem do dinheiro. Também foram encontradas durante as buscas listas com pelo menos 3,5 mil nomes de pessoas supostamente favorecidas pelo esquema de troca de favores por votos, constando inclusive os números dos títulos de eleitores. Questionado pela reportagem ainda dentro da Deic, Bastazini não quis se pronunciar.
Todos os seis presos devem ser ouvidos agora à tarde e transferidos para a Cadeia Pública de Avaí. Eles devem passar por audiência de custódia amanhã. Até o final da semana, a Polícia Civil deve pedir prorrogação do prazo da temporária ou ainda solicitar ao Judiciário a prisão preventiva dos investigados.