A prisão do vereador Carlinhos do PS (PTB), detido preventivamente nesta segunda-feira (29), durante operação desencadeada pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), da 1ª Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), repercutiu intensamente na sessão da Câmara de Vereadores.
Como a operação foi desencadeada na parte da manhã, quando teve início a sessão, por volta das 13h a maioria dos vereadores não se manifestou oficialmente sobre o caso, pois ainda havia poucas informações a respeito, segundo alguns ouvidos.
Porém, o presidente da Mesa Diretora, Markinho Souza (PSDB), já havia agendado para esta terça-feira (30) uma reunião com o delegado Ricardo Silva Dias, responsável pelo caso, para se inteirar do andamento do processo e assim tomar as próximas providências administrativas.
O presidente adiantou, no entanto, que até o período de validade da prisão temporária (5 dias), que pode ser prorrogável ou transformada em prisão preventiva (sem prazo definido de duração), nada deverá mudar com o mandato do vereador.
CASSAÇÃO DE MANDATO
Durante a sessão foi ponderada ainda a possibilidade de Carlinhos conseguir um habeas corpus, o que, na avaliação de outros vereadores, poderia mudar a situação. No entanto, um pedido de cassação do mandato de Carlinhos do PS havia sido apresentado na Câmara Municipal, mas sem o protocolo oficial, até a conclusão desta matéria.
Mais cedo, ainda nesta segunda, a Câmara emitiu uma nota em que informou ter tomado conhecimento da prisão do vereador e de seus assessores, mas que o Legislativo não tinha sido notificado oficialmente. "Em relação ao cargo de assessor parlamentar, lotado na presidência da Câmara, vale ressaltar que o servidor comissionado já estava nomeado quando o atual presidente da Casa de Leis, Markinho Souza (PSDB), assumiu a presidência da Mesa Diretora em 10/02/2021. O presidente tem o compromisso com a verdade e justiça e não tolerará nenhum ato de corrupção dentro do Legislativo", informou a nota.
PARA PEGAR
Entre os vereadores que comentaram sobre o caso, José Roberto Segalla (DEM) se limitou a manifestar a dúvida sobre a ausência do vereador durante a votação dos dois pedidos de instauração da Comissão Processante (CP). Mas o presidente encaminhou os dois processos (veja nesta página), tendo a ausência do vereador apenas como uma falta.
Estela Almagro (PT) também condenou os crimes dos quais o vereador é suspeito, mas questionou o fato de a denúncia ter partido do presidente da Emdurb, Luiz Carlos da Costa Valle, e ter sido concluída depois de seis meses de investigação no dia em que seriam votados dois pedidos de cassação da prefeita Suéllen Rosim (Patriota). "A casa não pode se furtar de cortar na própria pele. Mas há seis meses o homem forte da prefeita estava armando uma situação para pegar um par desta casa. Olha a mensagem que o Executivo está mandando para esta casa", avaliou.
EU FALO
A vereadora Chiara Ranieri (DEM), afirmou que a suspeita que paira sobre o vereador preso é inaceitável em qualquer poder, mas que o assunto "rachadinha" tem sido ouvido por ela antes mesmo da prisão. Mesmo afirmando que não tinha provas, Chiara se disponibilizou a expôr o que sabe a respeito junto à Justiça.
"Hoje o que eu ouvi foi rachadinha da fé. Se o delegado quiser me chamar, pode me chamar que eu vou e conto tudo o que sei, de todo mundo", afirmou.
Sobre o pedido de cassação do mandato de Carlinhos, Chiara também se posicionou. "O vereador deveria facilitar para a gente...".
"RACHADINHA"
A operação chamada de "Rachadinha" apura crimes de associação e organização criminosa para a prática de corrupção, nos quais o vereador é suspeito de envolvimento. O Deic cumpriu seis mandados de prisão, sendo contra o vereador, seus dois assessores parlamentares e outras três pessoas ligadas a seu grupo político. A ordem incluiu buscas e apreensão em nove imóveis para levantar documentos, computadores, planilhas, anotações, telefones celulares, CDs e outros materiais em residências dos denunciados, localizadas em diferentes bairros de Bauru.