09 de julho de 2026
Política

Como foi a denúncia que culminou com a prisão do vereador Carlinhos

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 3 min

Detalhes da denúncia que culminou na prisão do vereador Luiz Carlos Bastazini (PTB), o Carlinhos do PS, revelam tentativas do parlamentar de influenciar em uma gerência da Emdurb, barganha por cargos e extorsão de funcionários comissionados. As informações foram reveladas ao JC pelo atual presidente da empresa, Luiz Carlos Valle, e apontam para uma prática que, supostamente, teria começado em administrações anteriores.

Contrariado com as atitudes do parlamentar e com o dever de não prevaricar, Valle procurou a Polícia Civil e, a partir daí, começaram as investigações que levaram na manhã desta segunda-feira (29) ao cumprimento de seis mandados de prisão, dez de busca e apreensão e ao desmonte de um suposto esquema de rachadinhas e de troca de votos por bens e benefícios, conforme noticiou o JC (leia mais nesta página).

De acordo com o presidente da Emdurb, no começo do ano quase todos os funcionários comissionados foram sido exonerados, a pedido da prefeita Suéllen Rosim (Patriota). Foi então que ele foi procurado pessoalmente por Carlinhos, no gabinete da presidência da empresa, exigindo a manutenção de nomes da preferência dele. "A conversa inicial (com Bastazini) foi muito estranha, porque ele chegou e disse que tinha três cargos aqui na Emdurb. E foi de forma muito natural, espontânea. Eu falei que não era assim, que ele estava equivocado. Nem eu tenho cargo na empresa, eu estou aqui. O cargo não é meu, é da prefeita. Ele estava muito acostumado, esses anos todos entra governo sai governo, e era desse jeito que funcionava. Eu falei que não seria dessa forma", revela Valle.

PIVÔ

Insatisfeito, o parlamentar teria insistido na tentativa de determinar parte do quadro de funcionários da empresa. "Ele falou que dos três (cargos), dois queria manter e um deveria ser exonerado. Eu disse que não era desse jeito, pois o critério era de competência. E justamente o que ele pediu para ser exonerado era uma pessoa que foi mantida. É responsável por projetos importantes, mostra serviço, faz propostas", explica o presidente.

Valle ainda diz ter sido procurado pouco tempo depois pelo citado funcionário, que lhe revelou o esquema de rachadinhas. "Quando foi admitido, em julho do ano passado, não sabia que era dessa forma. E ficou muito constrangido, porque o vereador disse que o demitiria se ele não fizesse isso (repassar metade dos rendimentos para o parlamentar). Não só o salário, mas também o kit alimentação. Ele se sentiu obrigado a dar porque (caso fosse demitido) não teria como pagar faculdade. Quando parou de pagar, provocou a ira do vereador", afirma Valle. A partir dessas informações, o presidente da Emdurb procurou a Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), originando as investigações e a prisão do vereador. "Se recebo uma denúncia e engaveto, é prevaricação", complementa.

FISIOLÓGICO

Apesar da prisão do vereador Carlinhos do PS, o presidente da Emdurb acredita que o loteamento de cargos do Executivo a parlamentares é uma prática antiga na política local. "Não tenho dúvida nenhuma disso. Com certeza, até com outros vereadores, era uma prática institucionalizada. Não só na Emdurb", alega Valle. Para ele, as prisões da operação de segunda-feira vão gerar desdobramentos e novos nomes devem surgir durante as investigações.