09 de julho de 2026
Regional

Sindicância apura separação de alunos para a prova do Saeb em Piratininga

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Piratininga - Uma sindicância instaurada pela Prefeitura de Piratininga (13 quilômetros de Bauru), nesta quarta-feira (1), apura a conduta da direção de uma escola municipal ao separar alunos de salas para aplicação de uma prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A avaliação do 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Jacyra Motta Mendes ocorreu na última terça (30) em horário regular de aula, mas cerca de 10 alunos ficaram de fora do exame e foram levados a prédio de reforço em outra região da cidade.

Os pais dos estudantes apontam suposta discriminação, porque alunos considerados com déficit no aprendizado teriam sido excluídos. A diretora da Emef foi afastada. Na manhã desta quarta (1), algumas mães procuraram a delegacia da cidade para registrar boletins de ocorrência (BO), de natureza não criminal, sobre a situação. A Polícia Civil de Piratininga não informou quantos registros do tipo foram elaborados.

SEPARAÇÃO

Uma moradora de 34 anos que registrou BO conta que foi até a escola na terça (30) ao descobrir que seu filho, de 11 anos, ao invés de fazer a prova, havia sido transportado para a unidade de reforço, chamada de "ETI".

"Recebi uma ligação dizendo que ele estava lá, porque só os alunos mais inteligentes fariam a prova", afirma a moradora, que não será identificada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo ela, os 10 estudantes que foram para a ETI teriam passado por uma avaliação que não era a do Saeb. "Nesse outro lugar eles fizeram outra prova, uma xerocada", aponta. Ela diz ainda que funcionários alegaram que a separação ocorreu como forma de não gerar aglomeração nas salas de aula. "Mas então, porque as aulas voltaram? A aglomeração só conta em dia de prova?", indaga.

'EQUÍVOCO'

Acionado via redes sociais, o prefeito da cidade, major Jorge Luís Dias, esteve na escola durante o tumulto com pais. Horas depois, ele postou em suas redes sociais um posicionamento dele e da Coordenadoria Municipal de Educação sobre a situação. "Problemas ocorrem e vamos apurar, mas não podemos penalizar todo um corpo docente por um problema isolado e que ainda carece de esclarecimentos", disse o prefeito.

A nota aponta ainda que, conforme a coordenadoria, "alguns alunos do 5.º ano foram encaminhados para o reforço no prédio do ETI por equívoco, segundo o que foi relatado pela direção escolar". Ao JC, major Jorge disse que o afastamento da diretora e a abertura de sindicância foram resolvidos em reunião na manhã desta quarta (1). "É um fato pontual, mas que nos preocupou. Fiquei triste, porque temos investido muito na Jacyra, que é nossa escola modelo", afirma o prefeito. "Ela (diretora) disse que, na verdade, foi um descuido momentâneo".

O major diz que a coordenadoria deve chamar uma reunião com os pais dos alunos em questão para colocar à disposição um curso de férias em janeiro. "A pandemia deixou muitas crianças com déficit de aprendizagem enorme. Esse teste foi feito em um péssimo momento", finaliza.