Washington - Um novo estudo, dessa vez do Fundo Monetário Internacional, estima quantas vidas foram salvas pelo uso de máscaras, tendo como base as regras para uso da proteção nos Estados Unidos e dá aval à sua importância, fato já comprovado por vários outros estudos similares.
Segundo a pesquisa americana, a estimativa é que a obrigatoriedade do uso de máscaras tenha preservado cerca de 87 mil vidas e potencialmente poderia ter poupado a vida de mais 58 mil americanos ?caso o uso obrigatório se estendesse para todo o país.
"A obrigatoriedade no uso de máscara deve permanecer como uma importante ferramenta contra a Covid", afirma a pesquisa de agosto, divulgada agora. "Além disso, as máscaras podem ser essenciais para combater futuras pandemias."
A ômicron tem dezenas de mutações em sua proteína S (Spike). Dados disponíveis até o momento apontam que ela tem maior potencial de disseminação e de reinfecção de pessoas que já tiveram Covid.
A situação aponta para a necessidade de máscaras com maior potencial de filtração. Ou seja, as N95, que, inclusive, podem ser reutilizadas por bastante tempo, caso usadas com o devido cuidado.
NO BRASIL
"Todo mundo de máscara ainda", afirma Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). "Vamos continuar com o que já estamos acostumados."
Gerson Salvador, infectologista no Hospital Universitário da USP, reforça que "os meios de transmissão e a prevenção não mudam".
A eficácia dessa barreira facial para proteção contra o Sars-CoV-2 seja a variante que for e contra sua disseminação já foi demonstrada por estudos.
Mas, claro, há diferenças de acordo com as máscaras e como elas são usadas. Máscaras que não cobrem o nariz ou são usadas no queixo, logicamente, não fazem diferença. O material também impacta na proteção.
Um estudo da USP apontou a eficiência de filtragem de vários tipos de máscaras disponíveis no Brasil. As N95 ou PFF2 são as mais indicadas, com uma eficácia superior a 98%. Em seguida, aparecem as de TNT ou cirúrgicas (entre 80% e 90%). Depois, as de pano, com média de 40%. Máscaras de tricô, com tramas abertas ou com tecidos sintéticos como lycra e microfibra não são eficazes para proteção.
Além de reforçar o papel da vacinação, Leonardo Weissmann, consultor da Socidade Brasileira de Infectologia, também diz que a "N95 pode trazer uma maior proteção em um momento que pouco sabemos a respeito da ômicron".