10 de julho de 2026
Geral

'Estiagem ficou um mês maior e Bauru precisa de nova fonte de abastecimento'

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

As mudanças climáticas, que estão ocorrendo de forma mais intensa em razão da ação humana, têm provocado diversas consequências graves e uma delas é o aumento do período de estiagem, que está se prolongando por mais 30 dias dentro do calendário anual. Para muitas cidades, como Bauru, esta realidade se impõe como um grande desafio, especialmente quanto à garantia de abastecimento de água para toda a população.

A análise é do deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara dos Deputados e ex-prefeito de Bauru. Em entrevista ao Podcast JC, ele falou sobre o problema e destacou que uma das medidas para contorná-lo passará, necessariamente, pela viabilização de uma outra fonte de abastecimento, que consiga tirar a sobrecarga que hoje recai sobre o Rio Batalha.

"O aumento da concentração de CO2 está alterando a forma como a atmosfera retém o calor que vem do Sol. A Terra está esquentando e isso vai significar períodos mais longos de estiagem. Para nós, aqui em Bauru, isso pode resultar na morte do Rio Batalha", avalia ele, que esteve na 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 26), realizada em novembro em Glasgow, na Escócia.

SOLUÇÃO

A solução definitiva para o abastecimento de Bauru, contudo, não é tarefa simples, já que a zona urbana está caminhando para o esgotamento de espaço para perfuração de novos poços e o Rio Tietê, manancial que já foi considerado como uma possibilidade por gestões anteriores, ainda é demasiadamente poluído (leia ao lado). Agostinho também lembra que, não muitos anos atrás, o período chuvoso começava logo no início de outubro e o Batalha deixava de garantir o abastecimento até aquele momento do ano com menor frequência do que hoje.

"E, neste ano, a chuva só veio com força na semana retrasada. Nós tivemos um mês inteiro de outubro de estiagem forte, com algumas pancadas pequenas de chuva, situação que se repetiu em mais vinte dias de novembro. Serão necessários grandes investimentos para superar esta mudança", frisa, salientando que Bauru tem autorização para retirar 300 litros de água por segundo do Batalha mas tira, há anos, 500 litros de água por segundo.

"Eu, quando prefeito, quadrupliquei o tamanho da represa do rio, mas ela pode ser muito maior. Dos 30 poços profundos de Bauru, quase metade foi perfurada na minha época. Mas, isso não dá conta. E, dentro da área urbana, a gente está no limite da exploração do nosso aquífero. Então, teremos de procurar outras fontes de abastecimento", observa.

MEDIDAS

Como exemplos de medidas já em curso e que não podem ser abandonadas, ele cita o reflorestamento das margens do Batalha e o trabalho de desassoreamento da lagoa de captação, que ajuda a aumentar a capacidade de reservação de água. Também menciona a necessidade de a população não desperdiçar água e o DAE reduzir as perdas físicas (por vazamentos) e financeiras (provocada por hidrômetros antigos) da autarquia, além de implementar as diretrizes previstas no Plano Diretor de Águas.

Reforça, ainda, a urgência de encontrar uma nova fonte de abastecimento, apontando como uma das alternativas possíveis a perfuração de poços na área rural para bombear maior volume de água para a cidade. "Na região abastecida pelo Batalha, é inviável perfurar poços muito profundos porque nela existe uma rocha de basalto, também profunda. Então, só é possível perfurar alguns poços rasos. E, no restante da cidade, é preciso manter distância de 500 metros a dois quilômetros entre os poços, para não prejudicar a produção".