São Paulo - Em um pregão marcado pela realização de lucros, após cinco dias consecutivos de alta, o Ibovespa desacelerou, sem conseguir sustentar os 108 mil pontos conquistados na véspera. Além disso, os fatores que levaram à alta sustentada nos últimos dias, ou se dissiparam ou tiveram menos força nesta quinta-feira (9), com as bolsas americanas sem fôlego e as commodities desacelerando.
No cenário doméstico, o investidor também digere o tom mais duro do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta (8), e observa, ainda de forma lateral, com maus olhos a indicação do presidente Jair Bolsonaro de quer usar parte do espaço liberado nos gastos pela PEC dos Precatórios para dar um reajuste aos servidores públicos. Assim, o índice terminou o dia em queda de 1,67%, aos 106.291,24 pontos.
"O mercado reage de forma negativa no curto prazo, porque isso significa uma possibilidade maior de recessão e isso é ruim para a Bolsa. Mas, no médio prazo, ter um BC com mais credibilidade e com a certeza maior de que vai lutar contra a inflação, é algo que deve ser encarado de forma positiva", afirma Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos
Além disso, a Bolsa reflete a percepção de que, com um patamar de juro a dois dígitos por um tempo mais dilatado em 2022, haverá uma migração natural de ativos de risco para renda fixa. Apesar da queda, o Ibovespa ainda acumula alta de 1,16% na semana e 4,29% no mês.
DÓLAR
Após duas sessões de baixa firme, o dólar à vista avançou no pregão desta quinta, flertando novamente com o patamar de 5,60, em meio a uma onda global de fortalecimento da moeda americana. No fim do dia, a moeda era cotada a R$ 5,5738, em alta de 0,70%. Apesar do avanço hoje, o dólar ainda acumula desvalorização de 1,87% nesta semana