10 de julho de 2026
Internacional

Com governo rachado, Reino Unido aprova medidas contra Covid

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - O Parlamento do Reino Unido aprovou, nesta terça-feira (14), um novo pacote de medidas para conter o coronavírus no país, mas os bastidores da votação expuseram fragilidades no governo do primeiro-ministro Boris Johnson.

O conjunto apelidado de "Plano B" prevê ações como a expansão da obrigatoriedade do uso de máscaras e a exigência do certificado de vacinação em certos locais, como boates e grandes eventos.

De acordo com o governo, as medidas se justificam pela necessidade de garantir que os hospitais britânicos não entrem em colapso nas próximas semanas à medida que o país identifica um número crescente de casos da variante ômicron -- foram mais de 4.700 registros até esta terça, com ao menos dez pessoas hospitalizadas.

A aprovação do Plano B também se deu após uma série de declarações incisivas do primeiro-ministro britânico a respeito da pandemia de coronavírus. No domingo (12), Boris falou sobre uma inevitável "forte onda" da ômicron no Reino Unido. Na segunda-feira (13), anunciou a primeira morte relacionada à nova cepa no país e pediu que as pessoas descartem a ideia de que a mutação é mais branda.

Nesta terça, pouco antes do início dos debates que antecedem as votações no Parlamento, o premiê voltou a alertar seu gabinete sobre a iminência de um "enorme aumento" de casos da ômicron entre os britânicos, o que justificaria a imposição das medidas previstas no Plano B.

TRANSMISSÃO COMUNITÁRIA

Durante a sessão, o secretário de Saúde, Sajid Javid, também anunciou o fim das restrições de viagem impostas a 11 países africanos. Segundo ele, a medida perdeu significado agora que a transmissão da ômicron no Reino Unido e no mundo tem se dado de forma comunitária, e não mais a partir de viajantes.

O passe sanitário se tornou, no entanto, o ponto mais sensível entre os parlamentares do Partido Conservador, o mesmo de Boris. Em geral, essa parcela dos correligionários do premiê consideram a exigência do documento um atentado à liberdade individual.

Na votação, segundo o jornal britânico The Guardian, foram mais de cem conservadores que se opuseram à medida, dos 126 que votaram contra, enquanto 369 se posicionaram favoravelmente.