Com a alta da inflação acumulada em 10,74%, muitas famílias estão fazendo as contas na hora de comprar os presentes neste Natal. Brinquedos e roupas, produtos que, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), têm puxado as vendas no comércio bauruense, tiveram um reajuste abaixo desse índice inflacionário.
De acordo com dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, as roupas infantis subiram 6,51% nos últimos 12 meses, já as femininas registraram acréscimo de 7,7%. Por outro lado, as peças do vestuário masculino foram as únicas nesse segmento que ficaram acima do índice inflacionário: 10,92%.
Os brinquedos, por sua vez, encareceram até 8,96%, também menos que a inflação acumulada de 10,74%. "Se ficou abaixo desse índice, significa que os itens não apresentaram aumento real. Isso é bom porque, se meu salário foi ajustado pela inflação, ele cresceu mais rápido que esses preços", explica André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre).
COMPRAS
Mesmo com as contas mais apertadas neste ano, a esteticista Daiane Faria, 31 anos, fez questão de presentear as filhas, de 16 e 6 anos, e escolheu roupas e um brinquedo como presentes. "Elas precisavam de roupas para as festas de fim de ano. Então, aliamos os desejos com a necessidade, porque nada está barato. Só de roupa deu quase R$ 500", comenta Daiane. Para a filha mais nova, ela deu ainda um patins de Natal. "Não tive como fugir do brinquedo. Ela é criança e queria muito", acrescenta.
Assim como Daiane, a dona de casa Lilian Ferreira, de 36 anos, também foi ao Calçadão nesta terça (14) e comprou brinquedo para a filha Silvia, de 4 anos. "Para o namorado, a gente compra sapato e roupa de Natal, porque ele precisa para o dia a dia, mas, para as filhas, não têm como fugir, porque elas pedem bonecas, mesmo tendo vários brinquedos", conta a consumidora, acrescentando que gastou menos que o esperado, que era até R$ 200,00.
Autônoma, Luck Diaz, de 51 anos, foi mais uma cliente a apostar no vestuário e confecções para os mimos de Natal, mesmo diante da vontade de presentear o irmão e os filhos com artigos eletrônicos. "Neste ano, todo mundo tem comprado presentes que supram necessidades. Roupas e tênis saem mais barato do que um celular", compara.
Esta mesma realidade foi percebida pela comerciante de eletrônicos, Brida Carloni, 22 anos. "Muita gente tem vindo ao comércio e optado por coisas de uso pessoal e necessidade, como roupas. Tem muita gente com receio de gastar. Sempre vendemos muitos fones de ouvido personalizados e as caixas de som nesta época... esperamos que as vendas aumentem", observa.
Por outro lado, os tipos de roupas que mais saem como presentes de Natal, segundo a lojista Stefani Macedo, 21 anos, tanto masculinas quanto femininas, são camisetas de cores claras com as inscrições "amor" e "gratidão", além de shorts jeans e bermudas. Vestidos e camisas de times de futebol também estão na lista.
CONSOLIDOU
Segundo o consultor jurídico da CDL, Elion Pontechelle, roupas e brinquedos já eram projetados como os dois carros-chefes das vendas neste Natal. "Durante a pandemia, muita gente deixou de comprar itens de necessidade, como roupas e sapatos. Então, são presentes que se consolidam como opção agora. Já os brinquedos, não há muito como fugir. A criança pede", cita. "Mas, há uma expectativa de que a segunda parcela do 13.º salário seja utilizada para a compra de outros tipos de produtos", completa Elion.