Por que alguns impérios mundiais, depois de um insigne reinado de majestoso poder, caíram no estado de não existência, passando de forma fugaz, como o vento, pelo palco da história?
Por que algumas nações florescem e se enriquecem enquanto outras permanecem estagnadas ou evoluem muito lentamente ou ainda, com certa frequência, experimentam o desastre econômico? Por que determinados setores do globo alcançam desenvolvimentos científico e tecnológico extraordinários enquanto outros não e em alguns casos inclusive, regridem a ponto de perderem até aquilo que já haviam conquistado? Por que algumas pessoas pensam e desenvolvem coisas fantásticas que outros não pensaram?
Não é fácil responder a essas perguntas por conta da interação humana que ocorre na sociedade moderna, em conjunto com uma série de outras relações complexas e de mudanças significativas em nosso meio ambiente. A educação de qualidade para todos é um dos fatores fundamentais já que é básico, pois, qualifica, facilita a empregabilidade e a eleição de políticos que pensem no melhor para o país, por consequência, a saúde, a segurança pública, o emprego formal e a infraestrutura seriam beneficiadas, dando início a um ciclo virtuoso.
Educação não é apenas aprender as aptidões para prover o sustento, é aprender a entender a própria vida. A verdadeira educação é algo que penetra fundo no interior de uma pessoa, capacitando-a a usar a informação que recebeu para ser intrinsicamente mais produtiva.
Educação significa sensibilizar a si mesmo, a sua família e aos seus amigos, para um mundo inteiro de verdade, para o comprometimento com um bem maior que os desejos de cada um. A educação é a chave que equilibra as necessidades individuais e as necessidades coletivas.
Para que um governo se dedique de verdade ao bem-estar de seus cidadãos - seu bem-estar físico, emocional e sobretudo, espiritual - precisa fazer da educação seu objetivo essencial. Todas as esferas do poder precisam dar exemplos aos cidadãos de como buscar soluções racionais e justas para os complexos problemas da atualidade, precisam dar garantias de que os direitos individuais serão preservados sem comprometer o bem comum. Uma nação floresce se inculcar nas pessoas a noção de valores éticos, morais e espirituais.
Pessoas que já trataram dessas interrogações, como o historiador Joseph Needham (1900 - 1995), sugerem que o fato de uma sociedade ser intolerante à crítica e a alternância no poder ou ainda que reprime todas as formas de dissensão e mantém uma ordem social de rígida ortodoxia, dificilmente evoluirá de forma satisfatória.
Por outro lado, em uma sociedade onde há tolerância a novas ideias, equilíbrio entre os poderes de Estado e que permita divergências de opiniões, experimentará um crescimento considerável em sua capacidade de inovação. A pergunta do porquê algumas sociedades progridem e outras não - conhecido como o problema de Needham - evidentemente não tem uma resposta só e o próprio autor confessa isso.
Talvez a resposta exija um despertar das massas e cada um de nós assumir o compromisso de difundir uma mensagem de amor, de cooperação, de trabalho. Uma mensagem de que este mundo está mudando e de que precisamos participar ativamente dessa mudança.
De que estamos a meio caminho entre deixar a era do materialismo e entrar na era do conhecimento; conhecimento que une, em vez do materialismo que divide. Enfim, com a tecnologia de hoje, é preciso espalhar esse conhecimento para que todas as nações caminhem juntas, pois só assim teremos paz, a paz necessária para evoluirmos para um novo patamar civilizatório. Esse é o desafio da geração que está chegando a esse mundo.
O autor é professor aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica - Faculdade de Engenharia da Unesp - Câmpus Bauru.