Quantas vezes, na expectativa de
que Ele viria, esperançoso, eu
deixava na janela o capim, junto
ao sapatinho, porque me diziam,
para suas renas, alimento seria.
Ele nunca faltou, e, pela manhã,
lá estava o presentinho.
Hoje, estamos crescidos, não
somos mais crianças, porém, na
família, nesse dia, manteve-se o
costume dos regalos. Era sempre,
de papai fantasiado, a tarefa da
entrega das lembranças, e
quanta satisfação ele demonstrava
ao entregá-los.
Lamentamos, no entanto,
contritos, um fato ocorrido: terrível
mal se abateu sobre a humanidade;
entre milhões de vidas ceifadas,
papai fora atingido. Ficara, assim,
tisnada a alegria da família, no seio.
Essa ausência feriu, de todos, a
sensibilidade, choramos muito,
dessa vez, infelizmente, ele
não veio...