11 de julho de 2026
Economia & Negócios

GPB se dispõe a ajudar banco a fazer divulgação correta sobre a pecuária

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Uma campanha publicitária que sugeria a redução do consumo de carne como forma de, hipoteticamente, diminuir a emissão de gases prejudiciais ao meio ambiente, como metano, levantou o debate sobre o quanto empresas e consumidores em geral desconhecem sobre a evolução e a modernização das práticas pecuárias no Brasil. Tanto que a Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB) se dispôs a ajudar o banco Bradesco, que lançou a campanha Carbono Neutro - Transforme o Futuro a embasar a divulgação de novas informações em pesquisas realizadas por órgãos de referência no estudo do clima e do meio ambiente.

Na campanha, o banco divulga o lançamento de um aplicativo pelo qual é possível fazer o cálculo de emissão e compensação de créditos de carbono. O objetivo seria conscientizar os brasileiros sobre o impacto desses hábitos ao meio ambiente e uma das formas de reduzir este impacto, que foi amplamente promovida por meio de redes sociais de influenciadoras digitais, seria a redução do consumo da carne.

A relação entre a criação bovina e agressões ao meio ambiente é criticada pelo consultor da Athenagro, especializada na consultoria de práticas do setor pecuário, o engenheiro agrônomo Maurício Palmas Nogueira.

De acordo com ele, é falsa a ideia de que o metano liberado pelo gado, por meio dos gases, afeta o meio ambiente, porque o composto já estaria presente na natureza no momento do consumo do capim ingerido pelo gado, e estaria apenas voltando para o meio ambiente. "O capim já puxou este carbono de algum lugar e transformou em comida. É um carbono que já estava circulando. O impacto da pecuária no meio ambiente costuma ser superestimado. Na verdade, nem existe este impacto todo, mas se usa esta informação para defender a tese de controle de consumo", explicou Maurício.

DESINFORMAÇÃO

Segundo o consultor, grandes campanhas publicitárias que abordam os problemas ligados ao meio ambiente e a necessidade de práticas sustentáveis são importantes, mas devem ser contextualizadas. "Trata-se de um erro que acaba levando mais desinformação ao público", ressaltou.

Para Maurício, qualquer informação relacionada ao balanço de carbono precisa estar embasada em dados técnicos produzidos por entidades científicas que se debruçam em pesquisas sobre o setor do agronegócio, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Energia Nuclear da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

O consultor defende ainda a divulgação das práticas sustentáveis na pecuária, como o uso cada vez menor de espaço para a produção do gado. "Esta é a grande contribuição de sustentabilidade da pecuária, produzir mais em cima de uma área que, no caso da pecuária, está diminuindo. De 1990 para cá o setor repassou 17 milhões de hectares para a agricultura", afirmou.

REPERCUSSÃO

A campanha do Bradesco teve uma grande repercussão entre entidades do setor.

A Associação GPB emitiu uma nota em que demonstra o "total desacordo" do contexto com os esforços que desmistificaram o papel da pecuária brasileira como vilã quando se trata de emissão de gases de efeito estufa. A campanha promove a desinformação, na avaliação da entidade, e desconsidera "aspectos complexos e modernos do sistema produtivo da pecuária, agindo de forma leviana com um setor tão importante da economia nacional".

Na mesma nota, a associação coloca sua equipe de marketing à disposição do banco para assessorá-los na criação de campanha publicitária baseado em estudos técnicos, como os já realizados pela Embrapa.

Após contato da reportagem, o banco enviou, por e-mail, a nota divulgada anteriormente dirigida ao agronegócio, na qual reafirma seu apoio ao segmento e credita aos influenciadores digitais a posição sobre a relação do consumo da carne ao meio ambiente. "Importante dizer que tal posição não representa a visão desta casa em relação ao consumo de proteína animal. Diante do ocorrido, medidas foram imediatamente tomadas, incluindo a remoção do conteúdo do ambiente público e ações administrativas internas severas", garante o banco.