10 de julho de 2026
Regional

Pais raspam cabelo para apoiar a filha em tratamento no HAC


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Jaú - Para ajudar a filha de apenas 6 anos a encarar da forma mais natural possível o tratamento contra uma leucemia no Hospital Amaral Carvalho (HAC), em Jaú (47 quilômetros de Bauru), seus pais decidiram raspar a cabeça assim que os cabelos dela começaram a cair após o início das sessões de quimioterapia. Para a equipe médica que acompanha a criança, atitudes como essa ajudam no processo de recuperação.    

Maria Luiza Sena Mendes, a Malu, que mora em Araraquara, recebeu diagnóstico de leucemia em outubro deste ano, após exame de sangue de rotina, e foi encaminhada ao HAC. "Ela ficou bem no primeiro ciclo de quimioterapia, mas, ao começar o segundo, percebi que, aos poucos, os cabelos dela estavam caindo. Cada vez mais constante e em maior quantidade", conta a mãe, Luciana Sena Mendes.

Ela lembra que conversou com a filha no dia da formatura de uma das irmãs dela e decidiu agendar horário no salão e raspar os cabelos junto com Malu. "Não me preocupei com julgamentos, não tive medo do meu marido me enxergar diferente, eu só pensei nela. Por amor, eu fiz e faria novamente. Queria que ela se sentisse acolhida, que entendesse aquilo como algo normal dentro de casa", revela.

Luciana revela que, num primeiro momento, a filha ficou mais quietinha, mas, ao ver a mãe parecida com ela, logo se animou. A ação da mãe incentivou o pai, que fez o mesmo no dia seguinte. "Meu marido raspou também e isso foi importante para ela. Conseguimos transformar esse momento em algo leve para a Malu, diante de tantas outras coisas que já enfrentamos", declara.

A médica responsável pela oncopediatria do HAC, Larissa Bueno Polis Moreira, ressalta que o exemplo dos pais deu força para a pequena. "A mudança na rotina causada pela doença, as vindas ao hospital, exames, internações e os efeitos colaterais do tratamento, principalmente a queda dos cabelos, podem assustar a criança. A atitude da família fez a diferença no caso da Malu", afirma. De acordo com a psicóloga do HAC Natália Montanari, é importante encontrar uma maneira de mostrar aos pequenos que o tratamento é só uma fase, necessária para o bem deles. "Os pacientes lidam de formas diferentes com esse processo. Alguns sentem mais a queda dos cabelos. É necessário ressignificar esse momento para a criança, para a família, transformar em algo leve e buscar valorizar os ganhos que serão decorrentes do tratamento. E, caso seja necessário, buscar ajuda profissional para lidar com tudo o que está acontecendo", orienta.