08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fala do povo e fala do douto

José Misael Ferreira do Vale
| Tempo de leitura: 1 min

Certa vez, faz algum tempo, visitei,

com amigos, o sofrido Nordeste.

Ao pisar o solo ressequido,

empoeirado, acidentado do agreste,

vislumbrei rica formação geológica

pétrea na encosta do morro.

Admirei, como simples humano,

imenso amontoado de sólidas

pedras!

Não contive ao impacto visual dos

objetos e exclamei muito discreto:

Que pedras! Que bonitas

pedras! Pensei comigo. Claras,

ao chão modesto.

O cientista amigo corrigiu-me na

hora: são simples rochas, nada

mais!

Ao perceber que eu ficara

encabulado brincou: cuidado com

uma "rochada"!

Pensei: o povo jamais usaria uma

"rochada", no caso de pedrada bem

dada!

É certo que o sujeito que recebesse

pedrada ficaria certamente

atordoado!

No caso de uma "rochada" o

sofrimento não seria menor ao

"cara" apedrejado!

Lembrei-me de imediato de

pensador que outrora falara de

"concreto pensado".

O "concreto"(pedrada ou

"rochada") seria a "síntese de

múltiplas determinações".

A pedra seria coisa dura, com

massa e peso, química, geológica

e geográfica etc.

Para o notável pensador o

"concreto pensado", pedrada ou

"rochada", de fato,

seria, a todo rigor científico,

"síntese de múltiplas

determinações" de um objeto.

À base de determinações feitas

pelas análises teríamos um saber

sintético correto.

Enfim, o sujeito que recebesse uma

pedrada ou "rochada" estaria em

apuro certo,

entre a vida e a morte, não

importando o uso popular ou erudito

da fala humana!