O Ibovespa encontrou fôlego nesta quinta (30), com giro superior ao observado nas três últimas sessões, para limitar um pouco as perdas de 2021, ainda assim a 11,93%, o pior desempenho desde a retração de 13,31% observada em 2015. Hoje, a referência da B3 subiu 0,69%, a 104.822,44 pontos, perdendo força na reta final com Nova York.
Após cinco meses de perdas consecutivas, período no qual cedeu 19,62%, o Ibovespa avançou 2,85% em dezembro de 2021. Os dois anos de pandemia mostram grande contraste em relação ao que o precedeu, 2019, quando a referência da B3 subiu 31,58%, o maior ganho desde 2016 (38,9%), que havia sucedido recuo de quase 29% no intervalo entre 2013 e 2015, três anos de perdas sucessivas.
Os dois piores meses do ano foram setembro (-6,57%) e outubro (-6,74%), que marcaram a transição das dúvidas sobre a estabilidade institucional, até o discurso presidencial de 7 de setembro, para o que se mostrou ainda mais preocupante: a incerteza sobre a situação fiscal.
Para agravar o quadro doméstico, o ano chega ao fim com sinais mais restritivos sobre a orientação da política monetária, especialmente nos EUA, e alguma dúvida quanto à extensão do dano que a variante ômicron trará à recuperação econômica global, considerando a recente aceleração do contágio em países do hemisfério norte. No ambiente interno, janeiro e fevereiro tendem a ser meses movimentados para o governo, com o funcionalismo federal se organizando para reivindicar aumento salarial.
DÓLAR
Em um ano coroado por preocupações em relação a novas cepas da Covid-19 globalmente e, aqui, por incertezas fiscais, econômicas, políticas e, principalmente sobre a condução e intensidade da política monetária em um momento de inflação ascendente, o dólar avançou sobre o real. Mesmo com uma queda contundente, de 2,06%, na última sessão do ano, levando a moeda a R$ 5,5759 nesta quinta, no acumulado de 2021 a divisa americana saltou 7,46% sobre a moeda brasileira. Há um ano, 2020 terminava com o dólar a R$ 5,1887.