Continua neste domingo (2) o desfalque de médicos plantonistas nas UPAs Ipiranga e Bela Vista, que neste sábado (1) passaram a ser gerenciadas pela Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos (Omesc). De acordo com o presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Bauru, Eduardo Borgo (PSL), ambas as unidades registraram a falta de um médico, pelo menos, ao longo deste dia 2.
A Prefeitura Municipal, no entanto, garante que o atendimento transcorria de forma normal nas unidades em questão, sem registros de grandes filas ou atrasos até o início da tarde deste domingo (2).
“Temos dois médicos atendendo na UPA Ipiranga. E três médicos na UPA Bela Vista”, informou o município, por meio de sua assessoria de comunicação.
Para o presidente da Comissão de Saúde, o desfalque só não tem gerado problemas porque o movimento tem sido baixo neste fim de semana, em função das festas de fim de ano.
“Não houve prejuízo ainda, talvez, pela quantidade menor de pacientes. Minha preocupação está no atendimento amanhã (segunda-feira, 3)”, comenta Borgo. “Mas, em conversa com o profissional que cuida das escalas dos plantões, fui informado que a presença de todos os médicos está confirmada para esta segunda. Vamos aguardar e torcer para que essa queda de braço não prejudique a população”, acrescenta o vereador.
Correm nos bastidores ainda informações de que os furos na escala só não têm sido maiores, porque alguns médicos têm dobrado os plantões presenciais. Um deles, inclusive, já estaria atuando por 36 horas seguidas em uma das UPAs, sendo que o preconizado para a categoria é de até 24h.
1.º DIA
Conforme o JC noticiou, o primeiro dia de gerenciamento das UPAs Ipiranga e Bela Vista pela Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos (Omesc), neste sábado (1), também foi marcado por falta de médicos. Diante do desfalque, o presidente da organização social, João Luis Queiroz, e até a futura secretária municipal de Saúde, Alana Trabulsi Burgo, tiveram de cobrir dois plantões na primeira unidade citada.
Por lá, os três profissionais que estavam escalados não compareceram. Já pela manhã, a situação foi fiscalizada por vereadores, sendo que a Comissão de Saúde da Câmara Municipal emitiu nota cobrando a presença da prefeita Suéllen Rosim (Patriota), que está em viagem pessoal, e a abertura do Pronto-Socorro Central até que a situação seja normalizada (leia nesta página). O atual secretário de Saúde, Orlando Costa Dias, também passou pelas unidades.
O problema constatado só não foi maior porque o movimento foi baixo em função da data. A expectativa é de que possa piorar ao longo desta semana. A secretária municipal de Saúde informou que, nesta segunda-feira (3), notificará a Omesc por descumprimento contratual. A organização já havia sido notificada nos últimos dias, após inconsistências na escala apresentada por ela.
"O Jurídico ainda avaliará qual será a penalidade", comentou Alana, que atendeu o público na UPA Ipiranga neste sábado o dia todo com as roupas ainda da virada do ano. "Sabíamos que poderia acontecer, por isso nos preparamos. É um período de transição nas unidades. E, nessa época de festas, é difícil completar as escalas mesmo. Mas, eu estou aqui: sou servidora e, se precisasse de mais médicos, acionaríamos. Porém, o fluxo está tranquilo nas duas unidades", acrescentou pela manhã.
FUROS
O JC esteve nas duas UPAs entre às 10h e 12h deste sábado (1). Na unidade do bairro Bela Vista, dos quatro médicos escalados para o plantão da manhã, três compareceram. O quarto profissional teria testado positivo para Covid-19 e, por isso, não se apresentou ao trabalho. Ainda por lá, dois desses três médicos citados dobrariam o plantão a partir das 19h, segundo Alana. A escala da noite no local, contudo, prevê três plantonistas, das 19h às 7h, ou seja, faltaria um.
Na UPA Ipiranga, dos três médicos escalados para o plantão das 7h às 13h, nenhum compareceu. Um deles também testou positivo para Covid-19 e os demais não conseguiram ser contatados, segundo a Omesc. Diante da situação, João Queiroz e Alana cobriram dois plantões seguidos, o primeiro pela manhã e o segundo das 13h às 19h. Não havia garantias, contudo, sobre o plantão das 19h até as 7h domingo (2). "As UPAs não ficarão descobertas. Acionaremos médicos que são colegas, se for preciso", garantiu a secretária.
Apesar do desfalque, o atendimento na UPA Ipiranga e UPA Bela Vista transcorreu sem longas esperas até o fim da manhã. Nivaldo Nascimento, 51 anos, acompanhava sua mãe, de 70 anos, com quadro de síndrome gripal na UPA Ipiranga. "Fomos atendidos em menos de 1 hora, mas hoje (ontem) é dia de festa e não tem quase ninguém procurando atendimento. Se essa falta de médico persistir, a segunda-feira será tensa aqui na UPA", opinou.
Na unidade Bela Vista, pacientes informaram que a espera também não ultrapassava uma hora. Mas, Jéssica Mayara de Paula, de 20 anos, avaliou que o atendimento poderia ser melhor. "Estou esperando há 40 minutos com dores no peito, achei que estivesse mais rápido, porque não está lotado", pontuou.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Eduardo Borgo (PSL), e os vereadores Junior Rodrigues (PSD), Lokadora (PP) e Julio Cesar (PP) realizaram uma fiscalização nas unidades na manhã deste sábado (1). Um documento com a assinatura conjunta dos parlamentares acusando o desfalque deve ser enviado para a prefeitura.
"O medo de furo na escala que tínhamos se concretizou, mesmo com tantos alertas da Câmara. Não acho que seja algo pontual por causa das festas de fim de ano. Até porque os médicos que aceitaram os plantões certamente irão trabalhar exaustivamente, a escala da Omesc já nos mostrou isso", criticou Rodrigues.
"O que queremos saber da prefeitura é qual será a penalidade aplicada", indagou Lokadora.
Em nota, a presidência da Omesc afirma que, apesar dos desfalques, não houve atrasos nos atendimentos das duas UPAs. "Os pacientes que estão ou estavam internados também foram evoluídos. E todas as ocorrências trazidas pelo Samu foram prontamente atendidas. No que importa à população de Bauru, não houve atraso ou descaso", finaliza a entidade.