Diante dos furos das escalas médicas, a Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos (Omesc) oficiará, nesta quarta-feira (5), o pedido de rescisão contratual com a Prefeitura de Bauru. A informação foi divulgada pela própria entidade na noite de ontem (4).
Conforme o JC tem noticiado, as UPAs Ipiranga e Bela Vista, que passaram a ser gerenciadas pela organização no último sábado (1), têm apresentado desfalques contínuos nas escalas de médicos e consequentes atrasos em atendimentos.
Em nota, a Omesc diz que, na noite desta terça-feira, já informou sobre o pedido de rescisão durante uma reunião realizada na Prefeitura de Bauru com a prefeita Suéllen Rosim, membros do Gabinete e secretários.
"Por mais que tenhamos nos empenhado nesses poucos dias, garantindo o atendimento da população, nossa tarefa tem se tornado impossível, com a intensificação do boicote realizado em Bauru contra nossa organização para contratação de médicos", justifica a entidade. "No período que estamos à frente das unidades, as reclamações foram quase inexistentes, nossa preocupação foi zelar pelo bem estar de quem procura as unidades", complementa.
A Omesc afirma ainda que continuará realizando o atendimento normalmente até que seja realizado o trâmite para sua substituição, o que deve ocorrer pelos próximos dias.
Inclusive, a segunda colocada no chamamento vencido pela entidade de São Carlos foi a Fundação Estatal Regional de Saúde da Região de Bauru (Fersb), antiga gestora das unidades. Assim, é provável que tal organização social volte a prestar o serviço e gerir as escalas das UPAs Ipiranga e Bela Vista.
SÓ UM MÉDICO
Desde que a Omesc assumiu, houve furos nas escalas de plantões todos os dias. Para se ter uma ideia, nesta terça-feira (4), apenas um dos quatro médicos que deveriam cumprir jornada pela entidade na UPA Bela Vista, das 7h às 19h, compareceu. Com isso, o município acabou enviando dois servidores para auxiliar na demanda.
Na UPA Ipiranga, dos três profissionais previstos, também só um teria comparecido ontem, e a prefeitura diz que, novamente, precisou enviar outro médico para ajudar no atendimento na unidade.
CONSELHO
Para discutir esses desfalques contínuos, o Conselho Municipal de Saúde se reuniu na manhã desta terça com a titular da Secretaria Municipal de Saúde, Alana Trabulsi Burgo. Outras entidades ligadas à classe médica e o vereador que acompanha o caso, Junior Rodrigues (PSD), também participaram do encontro. Além dos furos nas escalas, a reunião abordou ainda lotação das unidades de saúde, diante do aumento dos casos de síndrome gripal no município (leia mais abaixo).
Inclusive, antes de a Omesc anunciar que pediria a rescisão, o Conselho de Saúde pretendia realizar uma reunião extraordinária hoje (5) para colocar em votação um possível pedido de rompimento a ser feito pela prefeitura em relação ao contrato junto à entidade. "O município tem utilizado seu quadro de profissionais para suprir os desfalques. O Conselho cobra providências, já que a entidade não se declara incapaz", disse, na tarde de ontem, Claudio da Silva Gomes, membro da Comissão de Fiscalização do Conselho.
A Omesc, inclusive, já havia recebido duas notificações da prefeitura. A primeira foi sobre inconsistências envolvendo a repetição de profissionais nas escalas apresentadas às autoridades. E a outra, entregue nesta segunda-feira (3), advertia a organização pelos desfalques de médicos, que prosseguem desde sábado.
Acionada pelo JC após a Omesc divulgar que pedirá a rescisão contratual, a Prefeitura de Bauru disse que se manifestará oficialmente sobre o assunto nesta quarta.