É incrível os lugares por onde nossas memórias podem nos transportar pelo tempo, sem que barreira alguma possa impedir isso, seja onde ou com quem estivermos. Diz a anedota: "[...] Lodovico Buonarroti!
O pai de Michelangelo era um homem muito rico, não entendia nada sobre a divindade do seu filho como escultor, tanto que o batia.
Filho nenhum dele iria trabalhar com as mãos pra sobreviver, portanto, Michelangelo aprendeu a não usar as mãos. Anos depois, um príncipe veio visitar o salão do gênio italiano e o encontrou olhando pra um bloco de mármore, imóvel, simplesmente observando. E ainda havia um boato de que Michelangelo ia todos os dias durante quatro meses, parava em frente ao bloco, olhava e voltava pra casa. Então, o príncipe perguntou-lhe o óbvio: "O que você está fazendo?"
Não sei o dizer com certeza se ouvi esta história ou li em algum livro.
Mas não era que o italiano estava certo? Quando é que a contemplação deixou de ser importante? Muito mais do que a execução do projeto é a sua reflexão, a contemplação de todas as possibilidades, a observação do objeto a ser esculpido, em suma, a idealização do todo.
Michelangelo então olhou para o príncipe e sussurrou-lhe no ouvido, em italiano - "... Sto lavorando" - ou seja, estou trabalhando. Lodovico Buonarroti! O incompreendido gênio italiano de seu tempo, Michelangelo, como o queira chamar, esteve certo o tempo todo. Três anos depois, aquele bloco de mármore era a Estátua de Davi.